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Vamos brincar com nossas crianças

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Texto escrito por Rafael Carvalho, psiquiatra infantil*

Olá queridos(as) leitores(as). É com enorme prazer e satisfação que inauguro esse novo espaço no qual compartilharemos e discutiremos temas diversos sobre Psiquiatria da Infância e Adolescência,  educação e comportamento infantil. É sabido que profissionais de saúde, principalmente aqueles envolvidos na Psiquiatria/Psicologia não devem aconselhar seus pacientes e sim ajudá-los a encontrar os próprios meios de solucionar seus conflitos. Mas me julgo no direito de já começar “errado” (rsrsrs) e contrariar a regra! Aí vai um grande conselho, daquelas famosas dicas de ouro: Vamos brincar com nossas crianças!!!

Mas vocês, queridos(as) leitores, diriam: “Nossa, além de aconselhar, ele foi muito óbvio” !!?!!

Não meus caros, não fui! Como vocês perceberão, não é assim tão simples e instintivo. Muito do que discutiremos sobre educação infantil exige método, paciência, regularidade e muita, muita dedicação. Não é diferente com a atitude de brincar com as crianças. Sabe aqueles compromissos que nós temos e que não podemos deixar de cumprir nunca, nem mesmo nos dias em que não sobra tempo para nada, em que estamos cansados, tristes ou irritados ? Assim também deve ser nosso compromisso de brincar com nossos filhos.

Nesses momentos preciosos os pais intensificam os laços de intimidade e cumplicidade com suas crianças. Nesses momentos nos aproximamos de verdade dos nossos filhos, conhecemos a forma infantil de ver o mundo e descobrimos as particularidades que fazem sua criança única e especial.

Introduzo aqui um conceito sobre o qual voltaremos a conversar : O Recreio Especial.

Consiste em convidar seu filho DIARIAMENTE (TODO DIA MESMO, MESMO AQUELES MAIS DIFÍCEIS) para brincar com você durante 30 minutos. Não é tanto tempo, dá para ser feito. Ele escolhe as brincadeiras a serem realizadas, nas regras dele e você verá o quanto ele se sentirá realizado e amado. Vale ensinar algumas brincadeiras clássicas, de sua infância (depois explico o porquê das “brincadeiras clássicas”!). Não vale ver TV ou coisa semelhante; é preciso interagir diretamente no tempo em que permanecerem juntos. Dessa forma você aumenta seu vínculo e cumplicidade com seu filho e experimentará uma relação mais próxima e prazerosa. Outro beneficio imenso é que você também aumentará  a tendência de seu filho de colaborar com você e obedecer. Você e ele ganham em todos os sentidos!

Além de aproximar você de seu filho, promovendo até mesmo a obediência, o “recreio especial” preenche uma lacuna moderna da vida das crianças: A dificuldade para brincar “de verdade”. Tente se lembrar da sua infância e das brincadeiras que você brincava: Esconde-esconde, queimada, rouba-bandeira, amarelinha, colorir, desenhar, bicicleta, patins, futebol (na rua!!! Praticamente impossível hoje, infelizmente), forca, adedanha. Mas cadê o computador, o tablet, o celular, o vídeo game? Não precisávamos deles! Nossas brincadeiras eram simples, divertidas e dinâmicas. Nos exercitávamos, corríamos e além de nos divertir, evitávamos o sedentarismo! Bom demais!!! Crianças felizes e ativas. Podemos ajudar a evitar a obesidade infantil e seu filho gastará energias, irá descansar e dormir bem e sobra tempo para os pais ficarem juntos, o que passa a ser um privilegio após a paternidade/maternidade.

Sendo assim, desta vez posso aconselhar e vocês estão livres para escutar meu conselho: Vamos brincar com nossas crianças!!

(crédito da imagem deste post: Google Imagens)

RafaelTEXTO ESCRITO PELO COLABORADOR:

Rafael Almeida de Carvalho, graduado em medicina (UFMG), é médico psiquiatra infantil com formação em Psiquiatria pelo Hospital Ipsemg e em Psiquiatria da Infância e Adolescência pelo Hospital das Clínicas de Minas Gerais. 

Contato: rafaelcarvalho125@yahoo.com.br