Diabetes: Qual o seu risco?

Violência, trânsito, poluição, é o que vem à sua cabeça quando se fala em “risco urbano”?  A crise mais crítica que vivemos em nossas cidades atualmente são na verdade as doenças silenciosas, a nova epidemia urbana.

Sedentarismo, fumo, sobrepeso, dieta pouco saudável. Todo esse estilo de vida favorecido pela rotina nos centros urbanos leva a doenças graves, como o diabetes, com sintomas que podem demorar aparecer.  O mais alarmante é que esses hábitos são repassados às crianças, que têm sido expostas cada vez mais cedo a excessos, tornado-o um problema de saúde global.

Repense sua bebida

O açúcar por trás dos alimentos: repense sua alimentação. Seus hábitos são transferidos aos seus filhos.

14 de novembro é o Dia Mundial do Diabetes. A data foi introduzida para aumentar a consciência sobre o diabetes: suas causas, sua prevenção e os efeitos devastadores que tem sobre as vidas humanas e sistemas de saúde em todo o mundo. E em 2016 a campanha é “De Olho no Diabetes” / “Uma Doença Invisível”, uma vez que metade das pessoas nesta condição não é diagnosticada, e o diagnóstico precoce aliado ao tratamento adequado reduz a possibilidade de sérias complicações, como cegueira, insuficiência renal, amputações, e até complicações fatais.

A boa notícia é: mais de 70% dos casos tipo 2 (nos quais o indivíduo não produz insulina suficiente ou ela não age adequadamente) podem ser evitados com simples mudanças de hábitos. Vamos mudar a rotina para um estilo de vida mais saudável em toda a família? Fique atento aos seguintes fatores de risco.

1. Sedentarismo: a inatividade física acarreta especialmente no aumento da circunferência abdominal, que eleva o risco do diabetes tipo 2, mas pode ser prevenido com a prática regular de atividade física. Atente-se ao “regular”. Ou seja, todo-santo-dia. 30 minutos diários de atividade física moderada é fácil de encaixar no seu dia-a-dia, numa caminhada à padaria ou com brincadeiras com as crianças.

2. Alimentação: a família consome frutas e vegetais diariamente? A dieta pobre em nutrientes e rica em gorduras e açúcares é um fator crucial no desenvolvimento de distúrbios na produção e ação da insulina. Consuma cereais ricos em fibras e legumes todos os dias. E evite o excesso de gorduras.

O excesso de açúcar merece um capítulo à parte. Contribui para a obesidade (o excesso de açúcar – não apenas do doce, mas do carboidrato também – no corpo é transformado em gordura), e é capaz de ativar áreas do cérebro ligadas ao vício, aumentando a dopamina e serotonina (hormônios do prazer e bem-estar), que torna cada vez mais difícil se livrar do doce diariamente.

Pesquisas mostram que, na maioria dos casos de crianças com diabetes ou com potencial de desenvolver a doença, os pais se alimentam muito mal. Então repense sua alimentação. Seus hábitos são transferidos a seus filhos “por osmose”.

3. Mudanças hormonais: as mudanças hormonais da gravidez interferem na ação da insulina, e podem acarretar em diabetes gestacional. Pode acontecer com qualquer mulher, principalmente em casos de

  • Idade materna mais avançada;
  • Ganho de peso excessivo durante a gestação;
  • Sobrepeso ou obesidade;
  • Síndrome dos ovários policísticos;
  • História prévia de bebês grandes (mais de 4 kg) ou de diabetes gestacional;
  • História familiar de diabetes em parentes de 1º grau (pais e irmãos);
  • História de diabetes gestacional na mãe da gestante;
  • Hipertensão arterial na gestação;
  • Gestação múltipla (gravidez de gêmeos).

Nem sempre os sintomas são identificáveis. Por isso, recomenda-se que todas as gestantes pesquisem, a partir da 24ª semana de gravidez (início do 6º mês), como está a glicose em jejum e, mais importante ainda, a glicemia após estímulo da ingestão de glicose, o chamado teste oral de tolerância a glicose.

4. Idade e predisposição genética: a partir dos 45 anos e quando se tem casos de diabéticos na família, a propensão para desenvolver esta condição é maior, mas, como nada pode ser feito em relação a isto, redobre a atenção nos itens anteriores: a alimentação balanceada e a prática regular de atividades físicas são uma ‘fórmula infalível’. :) #conheçaseurisco

Referências:

O lanche escolar e a construção de um bom hábito alimentar

foto blog

escrito por Maria Beatriz Vasconcelos, pedagoga*

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“Direito a um bom início

Toda criança tem o direito de comer alimentos sãos desde o nascimento, de beber água limpa e respirar ar puro. ”
(Rubem Alves – Direitos naturais das crianças)

O contato com uma mãe muito consciente em vários aspectos da educação dos seus filhos e muito parceira com a escola onde seu menino de seis anos estuda, me provocou a escrever o tema deste mês: o lanche escolar. Este aspecto na rotina das famílias e da escola precisa ser repensado e ressignificado. Ela me relatou uma situação que deve ser refletida e problematizada quanto ao desafio de propor uma alimentação saudável para as crianças.

A situação é a seguinte: Ela procura conduzir a alimentação do filho de uma maneira mais saudável. Mesmo com a dificuldade de tempo da família ela tenta preparar um lanche selecionando alimentos mais naturais, menos industrializados e que favorecem um crescimento sadio. Entretanto, a escola que o filho estuda oferece, na lanchonete, lanches como refrigerante, salgados fritos, chips e guloseimas. Ou seja, a família convive com o desafio maior de convencer a criança diariamente a optar pelo lanche saudável. Se a escola tivesse a mesma proposta tudo seria diferente e a condução da família estaria sendo reforçada. A escola estaria cumprindo o seu papel: contribuindo para a educação da criança no seu desenvolvimento integral.

Contudo, não é isto que vem acontecendo. Muitas escolas negligenciam este aspecto da formação da criança e optam por explorar também este setor em prol de lucros. Mesmo na rede pública, com a criação das vendinhas nos horários de recreio isto é muito comum. Entretanto, já existe uma resolução da Secretaria de Educação de Minas Gerais de 2010, baseada na lei estadual 18.372/2009 que proíbe a venda e distribuição gratuita de alimentos muito calóricos, tais como frituras, doces, salgadinhos, picolés, refrigerantes e outros.

Atualmente vários estados no Brasil possuem uma legislação específica que exige das instituições de ensino a oferta de merendas saudáveis. Algumas escolas que ainda não cumprem a legislação argumentam aspectos financeiros quanto a contratos firmados com lanchonetes. Todavia, isto não pode ser uma justificativa aceitável para continuarem oferecendo lanches que “deseducam”, ou seja, não contribuem para a formação de um bom hábito alimentar.

Felizmente, já existem muitas escolas que cumprem esta legislação. Aí o desafio é outro… famílias que não conseguem ainda privilegiar uma proposta mais natural na alimentação dos filhos e optam pelo mais fácil: o produto industrializado, com excesso de sódio, açúcar, gordura saturada, conservantes e muitos outros ingredientes que não fortalecem um crescimento sadio. A dificuldade então passa a ser da escola em insistir e alertar às famílias, principalmente na Educação Infantil, de que nesta fase do desenvolvimento de uma criança a educação do paladar é super importante para a relação que ela terá com a comida para o resto da sua vida.

A maior parte destes alimentos, com alto teor de açúcar, gordura e sódio, quando apresentados em excesso durante a infância contribuem para criar o vício no paladar em produtos industrializados e a resistência em alimentos naturais que certamente o sabor não ressalta tanto açúcar e gordura. É neste tipo de consumo que observamos a resistência dos menores em experimentar e apreciar sabores de frutas, verduras e legumes. Boa parte hoje das crianças, cujo consumo é repleto de biscoito recheado, salgadinhos, refrigerante e outros, apresentam extrema resistência nas refeições adequadas. Me parece, que é no mínimo difícil, uma pessoa após seus primeiros anos de vida ter “viciado” nestes alimentos construir um hábito alimentar adequado à sua saúde.

Este contexto, “fast-food”, associado à problemática da publicidade infantil nas embalagens de lanches, é tão desafiador que muitas famílias acabam reforçando este consumo, por ser mais prático e rápido. Acabam comprando lanches industrializados, colocam na lancheira e pronto. Ou contratam a lanchonete da escola para fornecer o lanche que a criança quiser, em determinado valor, diariamente.

A situação é complicada, pois tanto as escolas quanto as famílias enfrentam este desafio em situações diferentes. No caso da mãe que citei no início do texto, a solução que talvez pensemos de imediato é da possibilidade de mudança de escola. Mas não é uma decisão simples, sempre envolve muitos outros aspectos pessoais da família que dificultam esta escolha. E, na verdade, esta seria a “solução” para esta família. E as outras que convivem naquele espaço? E a formação das outras crianças? Em muitos momentos precisamos enfrentar o problema para que a solução seja coletiva e beneficie a todos e não apenas a um. Neste caso a parceria entre a escola e família precisa caminhar na direção de algumas reflexões a cerca da alimentação em prol do crescimento dessas crianças.

A sugestão passa pela organização dos pais em apresentar a legislação para a escola, cobrar um posicionamento e apresentar o problema sempre que possível. Em momentos de reuniões de pais e outros encontros destacarem o desafio que vem enfrentando na educação da criança diante deste contexto. Por outro lado percebo que as escolas que possuem um programa de alimentação adequado já estão se mobilizando com diversas ações de sensibilização das famílias… Orientações em reuniões de pais, lanchonetes com alimentos mais saudáveis e até projetos que constroem o conhecimento da importância deste hábito de alimentação saudável.

Educar com amor é priorizar o “Direito a um bom início”, em todas as suas dimensões. Exige de nós encontrarmos formas mais plenas de garantir um desenvolvimento integral para as crianças e a alimentação é, de fato, o começo de todo o cuidado que elas necessitam e precisarão de condução ao longo de bons anos. Quer saber mais sobre o assunto? Se envolver com a discussão e propor mudanças em sua família e/ou na escola do seu filho? Acesse os sites:

– Movimento Infância livre de consumismo: http://milc.net.br/tag/alimentacao-saudavel/

– Rede Brasileira Infância e Consumo: http://rebrinc.com.br/

Maria - Foto para colunaTEXTO ESCRITO PELA COLABORADORA:

Maria Beatriz  Vasconcelos, pedagoga, especialista em Educação Infantil. Atua como Professora Alfabetizadora na rede pública e privada em Belo Horizonte. Possui experiência como consultora educacional em formações docentes no segmento da Educação Infantil e séries iniciais do Ensino Fundamental.

Contatos:  mariabeatrizrn@hotmail.com / (31) 9480-4317