O nascimento começa com um corte…

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Debaixo d’água se formando como um feto
Sereno, confortável, amado, completo
Sem chão, sem teto, sem contato com o ar
Mas tinha que respirar

Arnaldo Antunes

Quero continuar a dizer sobre a beleza do nascimento (o texto anterior está aqui) e como ele inaugura uma novidade no mundo.

Podemos dizer que a marca do nascimento é o corte no cordão umbilical. A experiência de nascer para o mundo começa na separação, um corpo que se separa de outro corpo. Depois da ruptura, vamos nos relacionar com o corpo que nos gerou, mas não de dentro dele e sim por fora. Esse simples deslocamento de posição -dentro para fora – muda tudo em nossa vida. Aquilo que era um, agora se apresenta como dois. no entanto essa separação efetiva que acontece no nascimento não acontece automaticamente no decorrer da vida. Mãe e filho podem continuar fundidos afetivamente.

Nascer é separar-se da mãe para adentrar no mundo. É neste sentido que podemos falar que quem nasce traz uma novidade ao mundo. Os olhinhos da mãe voltados para o bebê e dele para com a mãe, concretizam esse acordo silencioso do nascimento, vejo o rosto de quem amo.

Só vemos o rosto de quem “está fora” de mim, o meu próprio rosto não consigo ver. A separação é fundamental para pensarmos em educação. (Mais adiante veremos o porquê!)

Quando um bebê começa a ser gestado já existe um mundo de coisas, ideias, situações bem concretas para ele viver. Se muitas coisas já estão dadas e definidas, como então o nascimento é a eterna novidade do mundo?

A resposta para isso, talvez, nos exigisse um tratado, mas como não quero divagar nas concepções teóricas da filosofia vou tentar ser bem simples. Para deixar que o novo venha ao mundo é preciso permitir, a ‘pessoa nova’ que chega ao mundo, experimentar o mundo do seu lugar. Isso mesmo, precisamos deixar a criança ser criança, o bebê ser bebê,. É simples, basta favorecer que este ser que nasceu desenvolva ao seu modo. Desta forma, nós passamos a aprender com ele o seu modo de ser.

Não, eu não quero dizer que devo deixar a criança a fazer o que ela quer. O que quero dizer é que, existe no colo de um adulto um ser que não é o mesmo de quem o carrega, por exemplo, o mesmo ser da mãe, não é mesmo ser do pai, não é o mesmo ser da vó, ou de quem quer que seja. Tampouco é um ser híbrido feito das metades do pai e da mãe cujo resultado da soma é o que carregamos. Não, um recém-nascido é como nós, completo e desamparado!

Quero dizer com isso que, dar a luz a alguém é possibilitar a vida desse alguém no mundo. Quero dizer, o bebê é uma outra pessoa que esta diante de você. Este é um princípio básico para a boa vida dos envolvidos na educação.

Pode parecer algo óbvio mas reconhecer que este outro é diferente de mim nem sempre é fácil. Tal reconhecimento é um processo, que para muitos, leva uma vida toda. Essa pseudo ‘fusão’ que se vive nas fases iniciais do nascimento é normal e pode até fazer bem por algum tempo, mas a longo prazo é prejudicial para as partes envolvidas.

Cortar o cordão umbilical é necessário, não somente no parto, mas metaforicamente dizendo da vida. Reconhecer a integralidade do outro que se apresenta diante de meu colo é importante para um crescimento saudável e maduro do desenvolvimento humano.

Caso contrário, corremos o sério risco de aniquilarmos a experiência deste ser que chega em detrimento    do medo da separação.

Contudo, para conseguirmos reconhecer essa pessoa que se apresenta diante de nós como outra pessoa (e não uma propriedade minha) é fundamental termos feito essa experiência de ruptura com estruturas que não nos permitem ser nós mesmos.

Sei que há inúmeras pessoas que, mesmo adultas e tendo filhos, não conseguiram viver esta ruptura com o universão de proteção paterno e materno. Certamente, a sua ruptura para com o mundo é de suma importância para que possibilite ao seu filho viver para o mundo.

Bem.. ainda vamos conversar mais sobre isso! Caso eu não tenha me expressado bem, sei que você pode entender tudo que falei se escutar essa música aqui.

Não é por acaso que a vida deu jeito de fazer com que todos os animais soubessem o melhor modo de romper o cordão umbilical… Imaginem se vivêssemos unidos a ele sempre. Impossível viver! Afinal, é preciso respirar!!

 

(Créditos da foto deste post: restirada de banco de imagens do Google)

O nascimento é a eterna novidade no mundo!

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Hoje gostaria de falar um pouco sobre o nascimento de uma vida.

Fico me perguntando, qual o significado de nascer? E, imediatamente, lembro-me do trecho de um livro do filósofo francês Maurice Merleau-Ponty quando ele escreve sobre a liberdade em um dos seus principais livros intitulado Fenomenologia da Percepção. Lá no final do último capítulo, ele afirma,

“nascer é, ao mesmo tempo, nascer do mundo e para o mundo”.

Acho esta frase lindamente poética!  Mais que isso, ela nos dá algumas pistas para pensarmos o que significa o nascimento de um criança. Para entendermos melhor o que o filósofo francês quer dizer, vamos separar a frase em duas partes, primeiro o que significa nascer “do mundo” e depois discutir o significado de nascer “para o mundo”.

Nascer “do mundo” significa que quando nascemos já existe uma série de fatores que determinam nossa vida. Temos uma sociedade definida, uma cultura determinada por princípios que nos afetam, nascemos em um família com valores estabelecidos, temos uma língua já falada e cheia de significados, entre tantas outras coisas que já são anterior ao nascimento. Nascer “do mundo” é surgir em lugar onde já se tem muitas coisas definidas e quase não sobra espaço para nós sermos tão diferentes dessas estruturas que nos antecedem.

Toda criança quando surge no mundo vai encontrar uma estrutura já dada, é isso que o filósofo quer dizer. Ela vai nascer em um determinado País, em uma língua, em uma sociedade, em algum lugar bem situacional que pode ser um lar, como uma casa, ou um abrigo de crianças abandonadas. Tanto o lar quanto o abrigo são fatos do mundo que já estão dados, prontos. Há sempre um sistema que antecede o nascimento. Tal sistema será decisivo no crescimento dessa vida que acaba de surgir.

Neste sentido, para as pessoas que escolhem ter um filho, é importante procurar conhecer mais profundamente o “universo” que esse filho nascerá. Conhecer o “universo” significa compreender bem nossas relações com a cultura, com a política, com a religião e com as pessoas que nos circundam. Não se trata de se tornar um cientista político, econômico ou um mega chato que só quer gente bacana ao lado da sua família. Trata-se, portanto, de buscar entender o contexto que esta criança nascerá afim de detectar os valores e contra-valores que possuímos. É preciso tomar consciência da vida que o casal possui, dos valores que nela estão contidos e, se for o caso, repensar essa estrutura. Afinal, muitas dessas crenças que temos na política, na economia, na religião e nas amizades, terão um impacto direto na educação do recém chegado ao mundo.

Conheço pessoas que mudaram de cidade, de casa, de rotina para que a criança nascesse em um mundo no qual o casal acredita. Abriram mão de uma série de “benefícios” de uma vida na capital para a criança crescer em uma cidade do interior, com mais qualidade de vida. É óbvio que nem todo mundo tem essa possibilidade de mudar radicalmente a vida em função do nascimento de um filho, mas todo nós podemos nos perguntar sobre em/por quais valores queremos viver. Essa pergunta é fundamental ser colocada antes de se planejar ter um filho.

A segunda parte da frase refere-se ao nascer “para o mundo”. Merleau-Ponty sabe bem que, se de um lado nascemos em um mundo definido, por outro lado, somos uma novidade neste mundo e nele podemos apresentar algo novo. Nascer “para” significa que nossa vida está intimamente ligada com o mundo e com os outros. Nunca somos tão únicos, exclusivos. Temos uma experiência de vida que se dirige para o outro. Este outro pode ser qualquer coisa ou qualquer pessoa. Ter uma vida “para” alguém é comprometer-se com algo neste mundo.

Todo nascimento traz em si uma espécie de “furo” nessa estrutura do mundo que nos determina. Cada bebê que nasce é um novo olhar que surge no mundo. Isso significa que a vida de cada pessoa é extremamente importante e comprometida com a renovação própria do mundo.

Se por um lado temos pouco espaço para fugirmos das estruturas sociais que nos antecedem, no lado oposto temos na vida de cada um a eterna novidade dessa estrutura. Afinal, cada ser humano pode dar significado distinto a essa estrutura. Portanto, “nascer ‘do’ e ‘para’ o mundo nos coloca em uma contínua tensão. Como se houvesse um conflito entre o novo que se mostra e o velho já determinado. Esta tensão é saudável para o bom desenvolvimento da vida. Entretanto, faz-se importante ter um profundo respeito para aquela pessoa que chega ao mundo velho. Este respeito é alcançado quando descobrimos a aquele nasce não é propriedade exclusiva de ninguém se não de si mesmo.

Lembro-me bem quando, mais velho e longe de casa, minha mãe dizia, “criamos os filhos para o mundo”. Há uma sabedoria profunda nesta frase da vida. Educar não é para si, mas para que o mundo seja sempre um lugar melhor. Trago este tema de início, justamente porque acredito que é necessário para uma boa educação essa “espécie” de missão que temos, no sentido de que educar é educar para os outros. Nenhuma educação será eficiente se for egoísta e toma o filho como propriedade. É necessário sair dessa pseudofusão inicial que os primeiros contatos com o bebê favorecem. Essa saída não tem tempo, tampouco prazo definido. Porém, é preciso saber que somos “do” mundo e “para” o mundo.

Nesta perspectiva que lhes apresento, o nascimento se mostra como uma esperança muito fecunda na humanidade. Cada vida nova que habita nosso planeta traz nela toda a possibilidade de nos ensinar a ver o mundo, a nossa vida, de um lugar que não vemos. Esta é a novidade do nascimento.

Assim, nascer é apresentar o mundo (velho e costumeiro) para alguém e, ao mesmo tempo, descobrir a novidade que este alguém apresenta ao mundo. Todo nascimento exige de nós profunda abertura para a vida que se faz no mundo e para o mundo.

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Ref: MERLEAU-PONTY, M. Fenomenologia da percepção. Martins Fontes.

O segredo por trás do brilho pós-parto da Kate

Muito foi especulado a respeito da “boa aparência” com que Catherine Middleton, a duquesa de Cambridge, apareceu após o parto da sua segunda filha, recentemente. Houve quem levantasse teorias da conspiração a respeito da veracidade da sua gravidez. Será que isso se deve à naturalidade com que os partos cirúrgicos são feitos no Brasil, o que naturalmente, jamais deixaria uma mãe sair nas condições com que Kate saiu? Abaixo trouxemos um texto que traduzimos livremente do site australiano Essential Baby e que aborda, de forma descontraída, um pouco essa polêmica.

Teve até más línguas dizendo que ela fez uso de “barriga de aluguel”, mas a verdade é que, claro, ela teve (muita) ajuda profissional, só que o segredo para Kate sair tão incrível daquela maternidade não está só aí!

Catherine, duquesa de Cambridge, e príncipe William apresentando pro mundo sua alteza real princesa Charlotte, Elizabeth, Diana de Cambridge

Catherine, duquesa de Cambridge, e príncipe William apresentando pro mundo sua alteza real princesa Charlotte, Elizabeth, Diana de Cambridge. Fonte: Istagram @britishmonarchy

Catherine deslumbrou ao deixar o hospital fabulosa num vestido Jenny Packham, feito sob medida, que estrategicamente escondeu sua barriga ainda inchada e acentuou suas pernas longilíneas. A duquesa tem seu próprio cabeleireiro que compareceu ao hospital logo após o nascimento para providenciar aquela escova mara. E a make então, disfarçou as olheiras ou qualquer aspecto de cansada que o trabalho do parto causa. Enfim, não estava simplesmente bem para quem acabou de parir, mas excelente, de parar o trânsito, a mídia e até o terremoto!

Além disso, ela não ganhou muito peso, devido à hyperemesis gravidarum, mas não é motivo pra ficar com inveja, pois é uma complicação terrível na gestação que pode até ser fatal!

Mas Kate tinha outro motivo para sorrir. Ao contrário de muitas mulheres, ela tinha uma equipe de parteiras que monitoraram sua gravidez e conduziram o parto de seu segundo filho, enquanto uma equipe de obstetras estava à disposição nas proximidades. Podemos supor que, como ela deu a luz dentro de duas horas após chegar ao hospital, e saiu 10 horas depois, ela teve um parto vaginal simples.

A continuidade dos cuidados da parteira (a “midwife”, uma profissional qualificada para acompanhar a gestação e o parto normal) é um fator vital quando se trata de ter uma experiência positiva no nascimento, e boa recuperação do trabalho. E Kate foi assistida pelas mesmas parteiras toda a sua gravidez, o que faz com que a mulher se sinta segura e relaxada, e aumenta a probabilidade de o bebê nascer sem necessidade de qualquer intervenção. E quando não há intervenção, a recuperação do parto é muito mais rápida.

As heroínas do nascimento real, a midwife Arona Ahmed (dir.) e sua chefe, Jacqui Dunkley-Bent (esq.)

As heroínas do nascimento real, a midwife Arona Ahmed (dir.) e sua chefe, Jacqui Dunkley-Bent (esq.). Fonte: Daily Mail

E um dos conselhos de suas parteiras teria sido permanecer em casa por tanto tempo fosse possível durante o trabalho de parto, exatamente o que ela fez. Por isso, não é nenhuma surpresa vermos uma mãe tranquila e feliz deixando o hospital com sua família menos de 12 horas depois de a princesa nascer.

A forma como Kate desceu as escadas (com bebê nos braços e quase sem ajuda de William) e entrou no carro, era óbvio que não era uma mulher que teve um parto traumático!

A bela adormecida caçula real deixando o hospital

A bela adormecida caçula real deixando o hospital. Fonte: Instagram @britishmonarchy

Após o parto o corpo da mulher está cheio de “hormônios do amor”. A oxitocina, o hormônio da conexão do amor, é o que ajudará a amamentação acontecer, e ajudar a mãe a se apaixonar com o bebê e o recém-nascido cair de amores pela mamãe!

Então é isso! Aquele sorriso radiante mostrou uma mãe transbordando de amor pelo seu novo rebento, uma sensação com que a maioria de nós pode se identificar.

Óbvio que, sob aquele vestido deslumbrante, Kate teve que lidar com coisas não tão glamourosas, assim como todas as mães! Ela provavelmente estava com dor devido ao dilatamento do útero, e chacoalhando naquele salto, doida pra chegar em casa e cair no moletom! Mas ela teve um bom parto, que é algo que todas as mulheres deveriam ter a oportunidade de experimentar.

Texto de Âmbar Robinson. Tradução livre e personalizada de: http://www.essentialbaby.com.au/birth/after-birth/the-truth-behind-kate-middletons-postbaby-glow-20150504-3vbzd.html