“MÍDIA SOCIAL NÃO É VIDA REAL”

A australiana Essena Oneill, que já tinha mais de meio milhão de seguidores no Instagram, na última semana resolveu abandonar as redes sociais e revelar a cruel realidade por trás da fama na Internet.

A adolescente de 19 anos, que aparentemente tinha uma “vida perfeita”, agora se posiciona contra os ideais apresentados nas redes.

Nesta segunda ela postou seu último vídeo no YouTube, explicando que apagou mais de 2.000 fotos do Instagram e trocou a legenda de algumas outras restantes, porque aquilo não refletia o que realmente aconteceu por trás daquela imagem. Mas sim, toda uma manipulação para obter o post perfeito! Imagens bonitas, mas não reais.

NÃO é VIDA REAL – tirei mais de 100 em poses semelhantes tentando fazer minha barriga parecer bem. Mal comi naquele dia. Gritei com a minha irmã para continuar tirando as fotos até que eu fiquei orgulhosa
“NÃO É VIDA REAL – tirei mais de 100 em poses semelhantes tentando fazer minha barriga parecer bem. Mal comi naquele dia. Gritei com a minha irmãzinha para continuar tirando as fotos até que eu fiquei um pouco orgulhosa dessa.”

Na crise de consciência, a estrela do Instagram quis alertar seus fãs e seguidores sobre quão falso pode ser o mundo das mídias sociais, e como ele funciona, como um mercado de anúncios, camuflado sob a aparência de uma “vida dos sonhos”! Quando, na verdade, ela declara nunca ter se sentido tão triste em toda sua vida!

Assim como outras pessoas ricas, famosas e “poderosas” que ela teve oportunidade de conhecer, que, apesar de aparentemente ter tudo, também estavam depressivas. O sucesso na rede social pode não ter nada a ver com sua vida real.

Legenda verdadeira: Me pagaram por esta foto. Se você está olhando para as "Meninas do Instagram" e desejando ter a suas vidas... Perceba que você só vê o que elas querem. Se marcam uma empresa, 99 % as vezes elas estão pagando. Não há nada errado em apoiar marcas que você ama ( por exemplo, eu orgulhosamente promoveria marcas veganas em troca de dinheiro já que este tipo de negócio faz sentido para mim) . Mas isso aí (da foto) não faz nenhum sentido. Não há nenhum sentido em um sorriso forçado, roupas minúsculas e ser paga para ficar bonita. Somos uma geração feita para consumir e consumir, sem nenhuma ideia de onde tudo vem e para onde tudo vai.

Legenda verdadeira: me pagaram por esta foto. Se você se depara olhando para as “meninas do Instagram” e desejando ter suas vidas… Perceba que você só vê o que elas querem. Se marcam uma empresa, 99% das vezes elas estão pagando. Não há nada errado em apoiar marcas que você ama (por exemplo, eu orgulhosamente promoveria marcas veganas em troca de dinheiro já que este tipo de negócio faz sentido para mim) . MAS isso (a foto) não faz nenhum sentido. Não há nenhum sentido em um sorriso forçado, roupas minúsculas e ser paga para ficar bonita. Somos uma geração feita para consumir e consumir, sem nenhuma ideia de onde tudo vem e para onde tudo vai.

Em seu último post, Essena declara que, sem perceber, ela gastou a maior parte de sua adolescência sendo viciada em mídia social, aprovação social, status social e sua aparência física.

Desde os 12 anos ela sonhava em ser essa pessoa perfeita online! E a partir dos 16 ela tentava diariamente provar pro mundo que ela era importante, que era bonita, que era legal… quando percebeu que, passar o dia tentando provar para os outros que você é incrível, não é vida.

"Não é a vida real. O único motivo pelo qual fomos à praia nesta manhã foi tirar fotos destes biquínis porque a companhia me pagou e também porque eu ficava bonita considerando os padrões atuais da sociedade. Eu nasci e ganhei na loteria genética. Por que mais eu teria postado esta foto? Leia entre as linhas, ou pergunte a você mesmo 'por que alguém posta uma foto?... Qual é o resultado para eles? Fazer a diferença? Parecer gostoso? Vender alguma coisa? Eu pensei que estava ajudando garotas a serem saudáveis. Mas eu só percebi aos 19 que colocar qualquer quantidade de autoestima em sua forma física é tão limitante! Eu poderia estar escrevendo, explorando, brincando, fazendo qualquer coisa bonita e real... e não tentando validar meu valor através de uma foto de biquíni sem substância."

“Não é a vida real. O único motivo pelo qual fomos à praia nesta manhã foi tirar fotos destes biquínis porque a companhia me pagou e também porque eu ficava bonita considerando os padrões atuais da sociedade. Eu nasci e ganhei na loteria genética. Por que mais eu teria postado esta foto? Leia entre as linhas, ou pergunte a você mesmo ‘por que alguém posta uma foto?… Qual é o resultado para eles? Fazer a diferença? Parecer gostoso? Vender alguma coisa? Eu pensei que estava ajudando garotas a serem saudáveis. Mas eu só percebi aos 19 que colocar qualquer quantidade de autoestima em sua forma física é tão limitante! Eu poderia estar escrevendo, explorando, brincando, fazendo qualquer coisa bonita e real… e não tentando validar meu valor através de uma foto de biquíni sem substância.”

Então, aos 12, quando se via fora dos “padrões”, ela acreditava que não era nada, e estava triste. Foi copiando as modelos que pareciam tão felizes nos anúncios que Essena foi se tornando uma celebridade!

E a popularidade cibernética foi como uma droga, sua quantidade de “likes” e de seguidores nunca era suficiente, sempre precisava de mais. E, aos 18, mesmo com tantos, continuava triste, sozinha, assustada e perdida.

"Eu estava com acne aqui, isso é um monte de maquiagem. Eu estava sorrindo porque pensei que ficava bonita. Felicidade baseada em estética vai sufocar o seu potencial aqui na Terra."

“Eu estava com acne aqui, isso é um monte de maquiagem. Eu estava sorrindo porque pensei que ficava bonita. Felicidade baseada em estética vai sufocar o seu potencial aqui na Terra.”

Com seu vídeo, Essena espera ajudar seus seguidores a “caírem na real”. “Como podemos ver a nós mesmos e nosso verdadeiro propósito / talentos, se estamos constantemente a ver os outros?”

“Quando você se deixar ser definido por números (“curtidas”, visualizaçõe, seguidores!), você se deixa definir por algo que não é puro, que não é real”, diz ela . “Isso não é amor. ” E era tudo que ela precisava ouvir quando tinha 12 anos…

“Por favor, valide meus esforços para parecer sexy com minha bunda sendo o foco desta foto”. Eu gostaria que alguém tivesse me chacoalhado e me dito que aos 16 eu tinha muito mais do que minha sexualidade. Isso era tudo que eu pensava que os outros queriam, isso é o que gera likes e era isso que eu achava legal. Não há nada legal nisso. Esta é uma foto tirada para ganhar likes. Não há nada inspirador nisso. A mídia social é uma ilusão.

“POR FAVOR, VALIDE MEUS ESFORÇOS PARA PARECER SEXY COM MINHA BUNDA SENDO O FOCO DESTA FOTO”. Eu gostaria que alguém tivesse me chacoalhado e me dito que aos 16 eu tinha muito mais do que minha sexualidade. Isso era tudo que eu pensava que os outros queriam, isso é o que gera likes e era isso que eu achava legal. Não há nada legal nisso. Esta é uma foto tirada para ganhar likes. Não há nada inspirador nisso. Mídia social é uma ilusão.

Editado: “Por favor, dê like nesta foto, eu me maquiei, enrolei meu cabelo, vesti um vestido apertado, usei uma bijuteria desconfortável... Tirei 50 fotos até que tivesse uma que achei que você fosse gostar, então editei este selfie com toneladas de aplicativos apenas para que eu pudesse me sentir aprovada socialmente por você.

Editado: “Por favor, dê like nesta foto, eu me maquiei, enrolei meu cabelo, vesti um vestido apertado, usei uma bijuteria desconfortável… Tirei 50 fotos até que tivesse uma que achei que você fosse gostar, então editei este selfie com toneladas de aplicativos apenas para que eu pudesse me sentir aprovada socialmente por você.

Essena lançou um site (Let’s Be Game Changers) para defender a consciência e a mudança, sobre a natureza destrutiva de tentar obter aprovação online. E agora só quer usar a rede e sua influência digital para o bem social.

*Atualização: em 04/11/2015 Essena apagou de vez sua conta no Instagram e Youtube.

O lanche escolar e a construção de um bom hábito alimentar

foto blog

escrito por Maria Beatriz Vasconcelos, pedagoga*

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“Direito a um bom início

Toda criança tem o direito de comer alimentos sãos desde o nascimento, de beber água limpa e respirar ar puro. ”
(Rubem Alves – Direitos naturais das crianças)

O contato com uma mãe muito consciente em vários aspectos da educação dos seus filhos e muito parceira com a escola onde seu menino de seis anos estuda, me provocou a escrever o tema deste mês: o lanche escolar. Este aspecto na rotina das famílias e da escola precisa ser repensado e ressignificado. Ela me relatou uma situação que deve ser refletida e problematizada quanto ao desafio de propor uma alimentação saudável para as crianças.

A situação é a seguinte: Ela procura conduzir a alimentação do filho de uma maneira mais saudável. Mesmo com a dificuldade de tempo da família ela tenta preparar um lanche selecionando alimentos mais naturais, menos industrializados e que favorecem um crescimento sadio. Entretanto, a escola que o filho estuda oferece, na lanchonete, lanches como refrigerante, salgados fritos, chips e guloseimas. Ou seja, a família convive com o desafio maior de convencer a criança diariamente a optar pelo lanche saudável. Se a escola tivesse a mesma proposta tudo seria diferente e a condução da família estaria sendo reforçada. A escola estaria cumprindo o seu papel: contribuindo para a educação da criança no seu desenvolvimento integral.

Contudo, não é isto que vem acontecendo. Muitas escolas negligenciam este aspecto da formação da criança e optam por explorar também este setor em prol de lucros. Mesmo na rede pública, com a criação das vendinhas nos horários de recreio isto é muito comum. Entretanto, já existe uma resolução da Secretaria de Educação de Minas Gerais de 2010, baseada na lei estadual 18.372/2009 que proíbe a venda e distribuição gratuita de alimentos muito calóricos, tais como frituras, doces, salgadinhos, picolés, refrigerantes e outros.

Atualmente vários estados no Brasil possuem uma legislação específica que exige das instituições de ensino a oferta de merendas saudáveis. Algumas escolas que ainda não cumprem a legislação argumentam aspectos financeiros quanto a contratos firmados com lanchonetes. Todavia, isto não pode ser uma justificativa aceitável para continuarem oferecendo lanches que “deseducam”, ou seja, não contribuem para a formação de um bom hábito alimentar.

Felizmente, já existem muitas escolas que cumprem esta legislação. Aí o desafio é outro… famílias que não conseguem ainda privilegiar uma proposta mais natural na alimentação dos filhos e optam pelo mais fácil: o produto industrializado, com excesso de sódio, açúcar, gordura saturada, conservantes e muitos outros ingredientes que não fortalecem um crescimento sadio. A dificuldade então passa a ser da escola em insistir e alertar às famílias, principalmente na Educação Infantil, de que nesta fase do desenvolvimento de uma criança a educação do paladar é super importante para a relação que ela terá com a comida para o resto da sua vida.

A maior parte destes alimentos, com alto teor de açúcar, gordura e sódio, quando apresentados em excesso durante a infância contribuem para criar o vício no paladar em produtos industrializados e a resistência em alimentos naturais que certamente o sabor não ressalta tanto açúcar e gordura. É neste tipo de consumo que observamos a resistência dos menores em experimentar e apreciar sabores de frutas, verduras e legumes. Boa parte hoje das crianças, cujo consumo é repleto de biscoito recheado, salgadinhos, refrigerante e outros, apresentam extrema resistência nas refeições adequadas. Me parece, que é no mínimo difícil, uma pessoa após seus primeiros anos de vida ter “viciado” nestes alimentos construir um hábito alimentar adequado à sua saúde.

Este contexto, “fast-food”, associado à problemática da publicidade infantil nas embalagens de lanches, é tão desafiador que muitas famílias acabam reforçando este consumo, por ser mais prático e rápido. Acabam comprando lanches industrializados, colocam na lancheira e pronto. Ou contratam a lanchonete da escola para fornecer o lanche que a criança quiser, em determinado valor, diariamente.

A situação é complicada, pois tanto as escolas quanto as famílias enfrentam este desafio em situações diferentes. No caso da mãe que citei no início do texto, a solução que talvez pensemos de imediato é da possibilidade de mudança de escola. Mas não é uma decisão simples, sempre envolve muitos outros aspectos pessoais da família que dificultam esta escolha. E, na verdade, esta seria a “solução” para esta família. E as outras que convivem naquele espaço? E a formação das outras crianças? Em muitos momentos precisamos enfrentar o problema para que a solução seja coletiva e beneficie a todos e não apenas a um. Neste caso a parceria entre a escola e família precisa caminhar na direção de algumas reflexões a cerca da alimentação em prol do crescimento dessas crianças.

A sugestão passa pela organização dos pais em apresentar a legislação para a escola, cobrar um posicionamento e apresentar o problema sempre que possível. Em momentos de reuniões de pais e outros encontros destacarem o desafio que vem enfrentando na educação da criança diante deste contexto. Por outro lado percebo que as escolas que possuem um programa de alimentação adequado já estão se mobilizando com diversas ações de sensibilização das famílias… Orientações em reuniões de pais, lanchonetes com alimentos mais saudáveis e até projetos que constroem o conhecimento da importância deste hábito de alimentação saudável.

Educar com amor é priorizar o “Direito a um bom início”, em todas as suas dimensões. Exige de nós encontrarmos formas mais plenas de garantir um desenvolvimento integral para as crianças e a alimentação é, de fato, o começo de todo o cuidado que elas necessitam e precisarão de condução ao longo de bons anos. Quer saber mais sobre o assunto? Se envolver com a discussão e propor mudanças em sua família e/ou na escola do seu filho? Acesse os sites:

– Movimento Infância livre de consumismo: http://milc.net.br/tag/alimentacao-saudavel/

– Rede Brasileira Infância e Consumo: http://rebrinc.com.br/

Maria - Foto para colunaTEXTO ESCRITO PELA COLABORADORA:

Maria Beatriz  Vasconcelos, pedagoga, especialista em Educação Infantil. Atua como Professora Alfabetizadora na rede pública e privada em Belo Horizonte. Possui experiência como consultora educacional em formações docentes no segmento da Educação Infantil e séries iniciais do Ensino Fundamental.

Contatos:  mariabeatrizrn@hotmail.com / (31) 9480-4317