11 brincadeiras criativas para dias de chuva (ou de frio)

E você acha que brincadeira legal e criativa só pode acontecer ao ar livre? OU… Você acha que brincadeira dentro de casa se restringe a vídeo-game, computador, ipad e celular?** (vejam observação  quanto a isso no final do artigo).

O verão já está aí, e com ele a gente aguarda não só dias cada vez mais quentes, mas também as esperadas chuvas (pelo menos assim torcemos né… porque, cá pra nós, estamos precisando!).

E para os dias em que a bendita chuva há de cair é que a gente já está aqui dando algumas sugestões de brincadeiras criativas que podem ser propostas dentro da sua casa ou apartamento! (Vale até pra quando falta energia e você acha que não tem mais nenhuma opção de entretenimento… acende as velinhas e fica ligadinho aí nessas dicas! ;)

Aproveitem e guardem essas dicas também pra quando aquele friozinho serenado de inverno chegar e faltar a famigerada coragem pra sair de casa… :P

Ah! Lembrando que existem brincadeiras cooperativas (aquelas que ninguém ganha ou perde) e as competitivas. Nestas últimas, a gente prefere orientar a fazer com que a brincadeira fique mais engraçada e leve, e isso pode ser feito através da inserção de prendas que sejam divertidas para todo mundo (por exemplo, cantar ou dançar). Isso acaba fazendo com que a competição seja aproveitada por todos, tanto por quem ganha quanto por quem perde. ;) Ah! É claro que prendas humilhantes ou constrangedoras nunca são indicadas, isso não precisamos nem dizer, não é. ;)

Outra coisa: para cada brincadeira, descrevi a faixa etária que costuma ficar mais entretida com aquela atividade. Isso não quer dizer que indicamos somente para aquela faixa etária (na verdade, além do interesse das crianças, tudo vai depender também da supervisão e participação do adulto, porque a maioria são brincadeiras com uso de tesouras e outros materiais encontrados em casa mesmo, então a nossa ideia é que o adulto SEMPRE brinque junto com a criança!). O que quero dizer com a descrição da faixa etária é que vai ser mais comum encontrar crianças entretidas naquela atividade com aquela faixa etária, mas não quer dizer que uma criança de outra faixa etária não possa se divertir também (é claro que pode!). Lembrando sempre que consideramos a participação dos adultos junto a todas as brincadeiras!

Então, vambora, se liga aí! ;)

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1) REAPROVEITANDO PAPELÃO

Que tal aproveitar as caixas de papelão dos móveis e eletrodomésticos que você compra em casa, ou mesmo essas caixas de supermercado? Dá pra fazer avião, barco… Tem até mini campo de golfe com caixa! Vocês podem cortar juntos os moldes, colar (com cola ou fita adesiva), pintar…

Se não dispuser de muito papelão assim, caixas simples de sapato (isso todo mundo tem, né?) podem ser aproveitadas para fazer lindas máscaras para a criançada! Além disso, as tampas das caixas de sapato junto com palitinhos de picolé podem virar divertidos “pinballs”! Dê uma olhada abaixo e se inspire.

Materiais: Papelão ou caixas de sapato, cola ou fita adesiva, tesoura sem ponta, lápis de cor ou tintas ou canetinhas hidrocor, palitinhhos de picolé, pincéis (no caso de tintas), rolos de papel toalha, bolinhas para complementar as brincadeiras (para o pinball, por exemplo). Dependendo, pode ser bolinhas de papel.

Idade: Essa diversão costuma entreter muito as crianças na faixa de 2 a 9 anos de idade.

aviao de papelao  barco de papelao

golfe de papelao

pinball gigante

mascaras de papelao

pinball de papelao

OBS: Acabei de lembrar que meu afilhado Luca, de quase 1 ano e 11 meses, ama pegar jornais e nos pedir pra fazermos “papéu” pra ele (chapéu!). Então, a gente canta “marcha soldado” e isso rende alguns bons minutos de brincadeira! E haja “papéus”. rsrs.

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2) BRINCADEIRAS COM COPOS DESCARTÁVEIS

Uma dica: Não jogue os copos fora! Deixe-os separados especialmente para brincar, assim a brincadeira fica sustentável e você não tem que usar sempre novos copos descartáveis! ;) Inclusive os copos podem ser pintados e/ou enfeitados pelas crianças. :)

– Materiais: copos descartáveis, bolinhas de papel (aproveite para reaproveitar papéis usados em casa para fazer as bolinhas!), rolos de papel toalha, tintas e pincéis e fitas adesivas para customizar os copos (se quiser).

– Idade: Estas brincadeiras costumam entreter crianças na faixa de 4 a 10 anos de idade.

torre de copos

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3) CONTAR HISTÓRIAS: TEATRINHO COM FANTOCHES

Oba! Hora da historinha!

Eu amo esses fantoches fofos de mão e de dedinho que vendem por aí! Tem de feltro, de pano… Mas pra quem não tem desses em casa, pode improvisar na hora e fazer os seus mesmo! É só deixar a criatividade fluir. Papel, tesoura, cola, fita adesiva, tinta, lápis de cor, palitinhos… Tem várias inspirações aqui embaixo.

Você não precisa criar apenas personagens prontos, tipo Chapeuzinho Vermelho ou Frozen. Não se prenda só às historinhas conhecidas. Claro que também podem ser interessantes, mas permita-se inventar junto com as crianças. Invente os personagens, suas características… Invente as histórias junto com as crianças! Aproveite, solte sua imaginação também, ela funciona! ;)

Quem tiver empolgado, pode aproveitar e montar o cenário completo dos fantoches! Usando as caixas de papelão que falamos lá no item 1, lembram? Aqui embaixo também tem algumas inspirações pra vocês!

Lembrem-se: incluam as crianças no processo da confecção da brincadeira! Permitam que elas mesmas criem seus fantoches, seus cenários… e suas histórias! Vocês não precisam apresentar tudo pronto pra elas e contar as historinhas. Muitas vezes, o meio é a  próprio brincadeira; e o caminho pode ser muito mais divertido que o fim. ;)

– Materiais: Papelão, caixa de sapato, cartolina, papéis variados, lápis de cor, tintas, pincéis, tesoura sem ponta, cola e fita adesiva, canetinhas hidrocor, outros materiais que quiser para ajudar a customizar os fantoches e cenários (panos, fitas, lãs, etc); palitinhos de churrasco (preferencialmente) ou picolé.

– Idade: Esta brincadeira costuma entreter as crianças de 3 a 7 anos de idade. Mas a contação de histórias em si entretém até mesmo os bebês!

fantoche de palitinho 2

fantoche de palitinho fantoche de papel 2 fantoches de papel

teatrinho fantoches 2 teatrinho fantoches

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4) AMARELINHA E JOGO DA VELHA COM FITA ADESIVA

E aí bate aquela vontade de jogar amarelinha, tá chovendo, não dá pra ir lá pra fora riscar aquele giz no chão (que foi assim que a gente aprendeu, né?), e você nem pensa em riscar o chão do seu apartamento de giz, carvão ou qualquer coisa parecida…

Bom, fica aqui uma dica! Quando o chão não é desses que qualquer colinha de fita adesiva vai deixar marca fácil (não sou muito entendida de pisos :P), você pode utilizar fita crepe ou durex colorido pra fazer os números no chão! Ou até mesmo escrever os números em papel e colar os papéis no chão com fita transparente mesmo. :)

“Mas a pedrinha vai riscar meu chão”. Que pedrinha o quê, criatura! Dá pra jogar até com uma bolinha mais densa feita de jornal… Mas se achar que ela não fica boa pra jogar, sabe aquela meia velha que ninguém em casa usa mais? Então, se você faz uma bolinha de meia, certamente ela não vai causar nenhum estrago. :P Se quiser que ela fique mais pesadinha, põe um bocadinho de grão lá dentro (pode ser um punhadinho de arroz, feijão… ;).

Mas olha… Não deixa de se divertir com suas crianças por causa de um chão, tá. :)

Ah! Também dá pra utilizar a fita pro “jogo da velha” (curioso esse nome, né? rs! Alguém sabe o porquê dele?) e traçar o o quadradinho # no chão (hoje a gente chama de hashtag! hahaha). Aí, é só usar, por exemplo, por exemplo, objetos diferentes, ou de cores diferentes, pra irem marcando as “bolinhas” ou os “xis” do jogo (exemplo: um jogador marca com seus chinelos, e outro jogador marca com seus tênis. É uma forma divertida de jogar! ;).

– Materiais: fita crepe ou durex colorido; bolinhas de papel ou bolinha de meia com grãos dentro, no caso da “amarelinha”; quaisquer objetos de mesma categoria que possam servir para marcar pra cada um dos jogadores, no caso do “jogo da velha”.

– Idade: Essa diversão costuma entreter crianças na faixa de 4 a 10 anos de idade.

amarelinha de apartamento

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Mas o velho papel e caneta também rende boa diversão com o “jogo da velha” em casa! Falando nisso…

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5) PEGA PAPEL E CANETA! FORCA, JOGO DA VELHA, ADIVINHAÇÃO E ADEDANHA

 Acho que todos eles já são conhecidos. Quem nunca brincou de algum dos jogos acima?

A forca consiste em pensar em uma palavra, traçar os espaços correspondentes às letras dessas palavras e desenhar uma forca. A outra pessoa precisa adivinhar qual é a palavra, dizendo letras que ela acha que está contida naquela palavra. A cada tentativa falha, uma parte do corpo do bonequinho é desenhado na forca. Se o bonequinho for desenhado completamente antes da pessoa adivinhar a palavra, a pessoa perdeu o jogo (parece mórbido, risos, mas é divertido!). Geralmente, pra ficar mais fácil, pode-se escolher uma categoria para a palavra ou dar uma dica. Por exemplo: é um animal, ou é um objeto, etc. :)

jogo da forca

 Já o jogo da velha a gente já citou no item anterior na proposta de jogar no chão, como a amarelinha, fazendo uma alternativa ao lápis e papel. Também é jogado em dupla, e consiste em traçar esse quadradinho # no papel, e a partir daí, uma pessoa de cada vez vai preenchendo um espaço dessa “hashtag” com um símbolo escolhido por ele: bolinhas ou xis. Ganha quem conseguir traçar uma linha tripla (horizontal, vertical ou diagonal) contínua com seus símbolos iguais (ficou bem confuso, mas acho que todo mundo aqui sabe como funciona, rs).

Você pode usar a imaginação e a criatividade com as crianças, e confeccionar cartõezinhos próprios pra brincar desse joguinho. :)

jogo da velha

O jogo de adivinhação é o nosso velho conhecido “Imagem e ação”, mas a gente está aqui pra provar que você nem precisa ter o jogo de tabuleiro oficial pra se divertir da mesma forma! Com no mínimo quatro jogadores, divida em dois grupos. Vocês podem combinar de brincar de adivinhar, por exemplo, nomes de filmes, ou de livros! Então, uma equipe pensa em um livro ou filme e pede pra uma pessoa da outra equipe desenhar, enquanto a outra pessoa dessa outra equipe tenta adivinhar dentro de um determinado tempo. E assim por diante, rodada por rodada. Muita gente gosta de dispensar o papel e a caneta e brincar com mímica mesmo! Costuma render boas risadas! ;)

imagem e acao

O jogo de adedanha (eu chamava de “adedOnha”… pra falar a verdade, não sei qual é o correto, muito menos o que significa! risos), também chamado é chamado por muita gente de “Stop”. Geralmente se brinca com duas ou mais pessoas (mas o bom mesmo é brincar em pelo menos quatro!). Consiste em traçar no papel uma lista de coisas típicas em colunas (exemplo: nome de pessoas, lugares, animais, frutas, cores, comidas). Todos sentam-se em roda e dizem “a-de-do-nha” e apresentam uma quantidade de dedos da mão que quiserem, e então conta-se todos os dedos, mas em vez de números, deve-se contar letras. Por exemplo: 7 dedos juntos = letra G. Então, todos começam a escrever palavras que comecem com a letra G, uma para cada coluna, de acordo com cada categoria, e quem terminar primeiro grita “Stop!” (daí o outro nome da brincadeira, rs). No final, Todos contam seus pontos: espaços em branco contam zero ponto, palavras iguais às do colega contam 5 pontos e palavras que ninguém escreveu contam 10 pontos. Vale brincar quantas vezes quiser e com quantas colunas (categorias) quiser!

adedanha

– Materiais: Normalmente, apenas papéis e canetas (ou lápis).

– Idade: Estes são jogos indicados para crianças já alfabetizadas (normalmente, a partir de 7 anos). Até os adolescentes costumam se divertir muito aqui!

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6) PING PONG COM BALÕES

Esse aqui é mais do que simples! Sem muita bagunça, nem sujeita, nem barulho. Mas precisa de um relativo espaço para brincar, por exemplo, numa sala.

Na verdade, se pensarmos bem, trata-se mais de um frescobol do que um ping pong, exatamente, né. :)

– Materiais: Balão, pratos descartáveis, palitos de picolé e fita adesiva para grudar. Se não tiver palitos, pode prender os pratos descartáveis direto nas mãozinhas mesmo, com elástico ou fita.

– Idade: Costuma entreter crianças de cerca de 2 a 7 anos.

ping pong de balao

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7) HORA DA PESCARIA

Os pequetitos adoram! Quem tem banheira em casa, pode até usá-la para um momento de pescaria, hein? Mas não se preocupem, não é preciso ter uma banheira pra brincar aqui! Uma vasilha com água  já serve (pode ser uma bacia!). Pra fazer a vara de pescar, basta um fio de lã amarrado a um graveto (dica: palitinho de churrasco ou mesmo um lápis podem servir perfeitamente. Só tomem cuidado com as pontas).

Os peixinhos ficam ótimos feitos de material emborrachado como E.V.A., mas calma, se você está improvisando a brincadeira agora e não tem nada disso em casa, eles também podem ser feitos de papel, pois fica levinho e bóia fácil! Porém, para não serem rapidamente deformados pela água, você pode passar uma fita adesiva transparente (tipo aqueles durex maiores, sabe? Quem tiver contact é ideal, depois é só recortar). Coloque as crianças para produzir os peixinhos junto com você, elas podem colorir e desenhar! :) Para as iscas, use clipes: abra-os e faça de uma forma que seja fácil “pescar” um clipe no outro! (cuidado com as pontas dos clipes!)

– Materiais: Bacia ou outra vasilha, alguns clipes, fita adesiva grossa transparente, palitinho comprido de churrasco (ou qualquer coisa equivalente, pode ser até um lápis sem ponta), linha mais grossa ou lã,  tesoura sem ponta, papéis coloridos (mas melhor é que as crianças pintem elas mesmas os peixinhos com lápis de cor ou giz de cera), fita adesiva transparente para envolver os peixinhos (ou papel contact).

– Idade: Costuma entreter crianças mais pequenas mesmo, de cerca de 2 a 5 anos. (lembrem-se que sempre consideramos que os adultos estão brincando junto! ;)

pescaria

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8) PISTA DE CARRINHOS

Quem não tem cão, caça com gato; e quem não tem autorama, brinca com… criatividade! :) Isso mesmo.

A ideia aqui é fazer uma pista de carrinho em casa, com o que se tem! Na primeira foto, a pista usou o próprio sofá e o chão e traçou apenas os “caminhos” com uma fita crepe simples (mais fácil de desgrudar depois). Nesse caso, a brincadeira consiste em a própria criança usar sua imaginação e participar da brincadeira ativamente, sem simplesmente “olhar os carrinhos andando via controle remoto”. ;)

Já na segunda foto, foi usado um “macarrão” de piscina (aquele tudo de espuma) cortado ao meio, e do alto da escada, ele foi posicionado. Assim, as crianças “soltam” os carrinhos lá de cima e eles descem pela pista (podem colocar uma continuação da pista ou uma caixa para aparar os carrinhos. Usem a imaginação de novo!).

– Materiais: Carrinhos simples pequenos, fita crepe, caixas para fazer os obstáculos, 1 “tubo macarrão de piscina”. O adulto pode cortar o tubo de piscina ao meio com um estilete ou tesoura.

– Idade: normalmente a partir de 3 anos e se entretém até cerca de 8 anos, mas vai depender do interesse da criança também, já que essa é a única brincadeira que propusemos que usou um brinquedo pronto (os carrinhos) para completar a brincadeira. :)

fliperama caseiro

pista de carrinho

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9) ACERTE O ALVO

Quando eu vi essa foto no pinterest, eu já comecei a rir. Um rolo de papel higiênico no meio da brincadeira! E o pior é que usar outro tipo de objeto não daria o mesmo efeito. É justamente o papel higiênico que deixa a brincadeira engraçada. Fala a verdade.

Um cabo/cano segurado por duas pessoas (aparentemente um cano de pvc, mas me deu a impressão daqueles canos de box de cortina de banheiro também, sabe?) e pendurado nele, dois rolos de papel higiênico (se você está pensando no desperdício do rolo de papel, é melhor pular para a próxima brincadeira). Desenrole um pouquinho do rolo e prenda a ponta em uma lata de refrigerante vazia; faça isso com o outro rolo também (vide foto). A brincadeira consiste em tentar “quebrar” o rolo de papel com aquelas “liguinhas” elásticas, mirando e lançando-as à distância, tipo estilingue mesmo (cuidado com a mira, hein! não vale machucar o colega! :P).

Dica: Estabeleçam uma altura menor para tentar quebrar o rolo, assim, o risco de acertar o elástico no olho de alguém é minimizado, pois todos vão mirar em uma altura mais baixa. Entenderam? Outra coisa: Peçam adultos para segurarem os canos (e não as crianças), dessa forma, se o elástico por acaso escapar em alguém, pelo menos vai ser em um marmanjo… :)

Esse é o tipo de brincadeira que também precisa de um espaço interno relativamente grande. Além disso, no mínimo quatro pessoas é o ideal.

– Materiais: um cano de pvc, dois rolos de papel higiênico, duas latinhas de refrigerante vazias e muitos elásticos.

– Idade: devido ao “perigo” de se machucarem com os elásticos (isso nem com supervisão adulta é algo “controlável”), essa aqui eu realmente não recomendo pra crianças muito pequenas, tá. De verdade. Tirando isso, a criançada maiorzinha e até os adolescentes e adultos costumam se divertir! Ainda assim, todo mundo corre o risco de levar uma borrachada ou outra. :P

brincadeira de apartamento

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10) MISSÃO IMPOSSÍVEL NO CORREDOR

Poxa, eu queria ter brincado disso. :)

Taí. Espaço pequeno, dia chuvoso, falta de energia, crianças agitadas… como lidar? rs.

Bom, imagino que um corredor em casa todo mundo tem. :) Fica a dica: Um rolo de fita adesiva. Passe de uma parede a outra, em linha reta e em X, no alto e no baixo, gerando tipo um “labirinto missão impossível”.

Na foto, a brincadeira aparentemente foi feita com papel crepom colado com fita adesiva. Também fica bacana porque ninguém vai grudar quando passar. rs. :) Mas acho que é mais fácil alguém ter uma fita adesiva em casa do  que um papel crepom, então, na hora do improviso, vale o que tem, não é? ;)

– Material: Papel crepom colorido e fita adesiva para grudar; ou simplesmente fita adesiva para passar de uma parede a outra.

– Idade: Costuma entreter crianças entre 3 e 8 anos de idade, embora às vezes os menores se beneficiem na brincadeira por conseguirem passar melhor entre as fitas devido ao seu tamanho.

brincadeira missao impossivel

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11) TORRE DE ALMOFADAS (COM DIREITO A GUERRINHA DE ALMOFADAS! ;)

Lembrei de colocar essa ideia aqui porque esses dias mesmo o nosso querido Luca <3 estava se divertindo pra valer com essa brincadeira, então tiramos fotos pra contar pra vocês! :)

Quem teve a ideia foi o titio-vô Bené, que está na foto, se divertindo com o Luca. A situação era quase a descrita aqui no post: não era um dia de chuva, mas era um espaço interno sem muitas opções pra brincar. Uma casa de adultos! rs. E ele já estava inquieto. Então… Simplesmente o titio retirou todas as almofadas do sofá. E pronto. Luca se distraiu o resto da noite. Criatividade é tudo nessa vida! :) (A mamãe aprovou, não é Lili? ;)

– Materiais: Almofadas. Almofadas. Muitas almofadas. :)

– Idade: Essa é boa para entreter os mais pequenos. O Luca, por exemplo, tem quase 1 ano e 11 meses. Mas jogue umas almofadas no chão e veja se toda criança não gosta de uma boa “bagunça”. ;) (chamem eles pra ajudarem a arrumar tudo depois, e tá tudo resolvido! ;).

A despeito de idade, acho que a brincadeira só não seria indicada caso a criança seja alérgica mesmo, ok? ;p

LUCA1 LUCA2 LUCA3

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Créditos das imagens: Todas as imagens foram retiradas do Pinterest (exceto as três últimas, que é de arquivo pessoal :).

** Observação referente ao primeiro parágrafo: Não que sejamos contra as tecnologias (depois falaremos disso por aqui)… pelo contrário! Acreditamos que cada tecnologia integra sua época, e as crianças e adolescentes têm inclusive direito a terem acesso ao conhecimento digital de forma bem orientada e esclarecida, respeitando os limites concernentes às suas idades. Ainda que muitos jogos informatizados e o acesso à tecnologia adequada possa promover desenvolvimento de muitas habilidades cognitivas, acreditamos também que as brincadeiras “tradicionais” ainda proporcionam várias habilidades que a maioria dessas tecnologias não alcançam, como sociabilidade, coordenação motora, criatividade, dentre outras.

 

Como a licença paternidade do criador do Facebook pode influenciar a vida de mães e pais trabalhadores

Mark Zuckerberg, o jovem programador e empresário estadunidense, conhecido mundialmente por ser um dos fundadores da maior rede social do mundo, o Facebook, anunciou recentemente que vai se afastar de suas atividades profissionais por dois meses para “lamber a cria”, quando chegar a bebê que ele e sua esposa Priscilla estão esperando!

Fonte: Facebook do Mark, do post

Fonte: conta pessoal do Mark no Facebook, do post em que ele anunciou que estão esperando uma menininha! (alguém me explica o pelo desse cachorro?! Que coisa mais aconchegante! rs)

Ele reforçou que estudos mostram que, quando os pais que trabalham têm tempo para estar com seus recém-nascidos, os resultados são melhores para as crianças e família! E que, no Facebook, eles oferecem aos funcionários até 4 meses de licença parental remunerada. O benefício inclui também casais do mesmo sexo e mamães e papais adotivos.

Fonte: conta pessoal do Mark no Facebook.

Fonte: conta pessoal do Mark no Facebook. O dog sentindo as mudanças que estão acontecendo com os preparativos pra chegada do bebê!

Essa é uma política muito generosa para os padrões dos Estados Unidos, já que esse país, considerado hoje a maior potência econômica mundial, oferece somente 12 semanas de licença maternidade e sem nenhuma remuneração. E a licença paternidade não existe!

Generosa também se comparada ao Brasil, onde a Constituição, no caso dos papais, garante apenas preciosos cinco dias! Uma grande incongruência tendo em vista a configuração atual de família, na qual fica clara a tendência de maior equilíbrio na divisão de responsabilidades entre mamães e papais, que estão participando cada vez mais de todas as fases da criação dos filhos, desde a gestação, não apenas pelas necessidades dos filhos, mas também pelas das mães! (Veja Instituto Papai, uma ONG que busca reverter a invisibilidade da experiência masculina no contexto da vida reprodutiva e no cuidado com as crianças, e luta para equiparar a licença paternidade com a licença maternidade)

O casal gestante e os pais e irmã do Mark. Fonte: perfil pessoal do Mark Zuckerberg no Facebook.

O casal gestante e os pais e irmã do Mark. Fonte: perfil pessoal do Mark Zuckerberg no Facebook.

Mas a verdade é que nem todos os empregados que têm esse direito o aproveitam, por temerem que possa prejudicar suas expectativas profissionais. Ainda há um paradigma de que você tem que priorizar o seu trabalho à sua família, que os homens são responsáveis pelo “ganha-pão” (apesar de as estatísticas dizerem o contrário), e mulheres que focam no trabalho são crucificadas como péssimas mães.

As mulheres já sofreram muita discriminação e penalidades no trabalho ao tornarem-se mães. E, quando os homens tiram esta licença, fica evidente que equilibrar família e vida profissional não é um desafio exclusivamente feminino, promovendo maior compreensão e empatia entre os sexos, no intuito de atravessar o longo caminho da eliminação de estereótipos desatualizados e inúteis, que prejudicam a todos.

Marissa Mayer em 03/11 no Fortune Global Forum in San Francisco, California.  (Photo by Kimberly White/Getty Images for Fortune)

Marissa Mayer, CEO do Yahoo, em 03/11 no Fortune Global Forum, grávida das gêmeas previstas para nascerem neste dezembro. Fonte: The Huffington Post

A CEO do Yahoo, Marissa Mayer, que foi contratada em 2012, quando estava grávida de seis meses do seu primeiro filho, chocou o mundo corporativo ao se afastar da empresa por apenas duas semanas após o parto. E por continuar tomando decisões e remotamente trabalhar durante esse período! Foi duramente criticada pelo curto afastamento e, ao mesmo tempo, por não ter se dedicado o suficiente ao seu trabalho. Que paradoxo!

Bem, pouco depois Marissa estava reluzindo nas listas dos CEOs mais bem pagos da América, ganhando bônus milionários pelos excelentes resultados alcançados. E agora, três anos depois, declarou que, como sua atual gravidez tem sido tranquila, está prevendo tirar outra igualmente breve licença.

Sua posição gerou estranhamento, pois vai de encontro às recentes notícias de que relevantes corporações como a Microsoft, Spotify e Netflix também expandiram seus prazos de licença parental remunerada.

A Netflix, por exemplo, está oferecendo a seus empregados até um ano de folga! Mas esse tipo de política pode ser impraticável, pois os trabalhadores muitas vezes temem o julgamento de seus colegas, já que nesta indústria o costume é trabalhar 50 horas por semana.

Ou seja, enquanto as mulheres ainda lutam contra os baixos salários, menores oportunidades e o estigma de que são seres que devem ser voltados para a família e não para o trabalho, os homens da geração de Zuckerberg enfrentam o desafio de serem pais mais envolvidos. E todos sofrem com a ideia de que, para ser profissional, nada tem que ser tão importante quanto o seu trabalho.

O envolvimento familiar cria importantes elos para a vida inteira. E a decisão do CEO de uma das empresas mais inovadoras e admiradas do mundo mostra que está tudo bem em priorizar a sua família, nem que seja por um pequeno segundo, enquanto você tem um bebê novinho em folha em casa!

Há uma boa chance de que ele vai inspirar outros pais a tirar uma folga, e a outras empresas e países a valorizarem a qualidade de vida de seus trabalhadores.

“MÍDIA SOCIAL NÃO É VIDA REAL”

A australiana Essena Oneill, que já tinha mais de meio milhão de seguidores no Instagram, na última semana resolveu abandonar as redes sociais e revelar a cruel realidade por trás da fama na Internet.

A adolescente de 19 anos, que aparentemente tinha uma “vida perfeita”, agora se posiciona contra os ideais apresentados nas redes.

Nesta segunda ela postou seu último vídeo no YouTube, explicando que apagou mais de 2.000 fotos do Instagram e trocou a legenda de algumas outras restantes, porque aquilo não refletia o que realmente aconteceu por trás daquela imagem. Mas sim, toda uma manipulação para obter o post perfeito! Imagens bonitas, mas não reais.

NÃO é VIDA REAL – tirei mais de 100 em poses semelhantes tentando fazer minha barriga parecer bem. Mal comi naquele dia. Gritei com a minha irmã para continuar tirando as fotos até que eu fiquei orgulhosa
“NÃO É VIDA REAL – tirei mais de 100 em poses semelhantes tentando fazer minha barriga parecer bem. Mal comi naquele dia. Gritei com a minha irmãzinha para continuar tirando as fotos até que eu fiquei um pouco orgulhosa dessa.”

Na crise de consciência, a estrela do Instagram quis alertar seus fãs e seguidores sobre quão falso pode ser o mundo das mídias sociais, e como ele funciona, como um mercado de anúncios, camuflado sob a aparência de uma “vida dos sonhos”! Quando, na verdade, ela declara nunca ter se sentido tão triste em toda sua vida!

Assim como outras pessoas ricas, famosas e “poderosas” que ela teve oportunidade de conhecer, que, apesar de aparentemente ter tudo, também estavam depressivas. O sucesso na rede social pode não ter nada a ver com sua vida real.

Legenda verdadeira: Me pagaram por esta foto. Se você está olhando para as "Meninas do Instagram" e desejando ter a suas vidas... Perceba que você só vê o que elas querem. Se marcam uma empresa, 99 % as vezes elas estão pagando. Não há nada errado em apoiar marcas que você ama ( por exemplo, eu orgulhosamente promoveria marcas veganas em troca de dinheiro já que este tipo de negócio faz sentido para mim) . Mas isso aí (da foto) não faz nenhum sentido. Não há nenhum sentido em um sorriso forçado, roupas minúsculas e ser paga para ficar bonita. Somos uma geração feita para consumir e consumir, sem nenhuma ideia de onde tudo vem e para onde tudo vai.

Legenda verdadeira: me pagaram por esta foto. Se você se depara olhando para as “meninas do Instagram” e desejando ter suas vidas… Perceba que você só vê o que elas querem. Se marcam uma empresa, 99% das vezes elas estão pagando. Não há nada errado em apoiar marcas que você ama (por exemplo, eu orgulhosamente promoveria marcas veganas em troca de dinheiro já que este tipo de negócio faz sentido para mim) . MAS isso (a foto) não faz nenhum sentido. Não há nenhum sentido em um sorriso forçado, roupas minúsculas e ser paga para ficar bonita. Somos uma geração feita para consumir e consumir, sem nenhuma ideia de onde tudo vem e para onde tudo vai.

Em seu último post, Essena declara que, sem perceber, ela gastou a maior parte de sua adolescência sendo viciada em mídia social, aprovação social, status social e sua aparência física.

Desde os 12 anos ela sonhava em ser essa pessoa perfeita online! E a partir dos 16 ela tentava diariamente provar pro mundo que ela era importante, que era bonita, que era legal… quando percebeu que, passar o dia tentando provar para os outros que você é incrível, não é vida.

"Não é a vida real. O único motivo pelo qual fomos à praia nesta manhã foi tirar fotos destes biquínis porque a companhia me pagou e também porque eu ficava bonita considerando os padrões atuais da sociedade. Eu nasci e ganhei na loteria genética. Por que mais eu teria postado esta foto? Leia entre as linhas, ou pergunte a você mesmo 'por que alguém posta uma foto?... Qual é o resultado para eles? Fazer a diferença? Parecer gostoso? Vender alguma coisa? Eu pensei que estava ajudando garotas a serem saudáveis. Mas eu só percebi aos 19 que colocar qualquer quantidade de autoestima em sua forma física é tão limitante! Eu poderia estar escrevendo, explorando, brincando, fazendo qualquer coisa bonita e real... e não tentando validar meu valor através de uma foto de biquíni sem substância."

“Não é a vida real. O único motivo pelo qual fomos à praia nesta manhã foi tirar fotos destes biquínis porque a companhia me pagou e também porque eu ficava bonita considerando os padrões atuais da sociedade. Eu nasci e ganhei na loteria genética. Por que mais eu teria postado esta foto? Leia entre as linhas, ou pergunte a você mesmo ‘por que alguém posta uma foto?… Qual é o resultado para eles? Fazer a diferença? Parecer gostoso? Vender alguma coisa? Eu pensei que estava ajudando garotas a serem saudáveis. Mas eu só percebi aos 19 que colocar qualquer quantidade de autoestima em sua forma física é tão limitante! Eu poderia estar escrevendo, explorando, brincando, fazendo qualquer coisa bonita e real… e não tentando validar meu valor através de uma foto de biquíni sem substância.”

Então, aos 12, quando se via fora dos “padrões”, ela acreditava que não era nada, e estava triste. Foi copiando as modelos que pareciam tão felizes nos anúncios que Essena foi se tornando uma celebridade!

E a popularidade cibernética foi como uma droga, sua quantidade de “likes” e de seguidores nunca era suficiente, sempre precisava de mais. E, aos 18, mesmo com tantos, continuava triste, sozinha, assustada e perdida.

"Eu estava com acne aqui, isso é um monte de maquiagem. Eu estava sorrindo porque pensei que ficava bonita. Felicidade baseada em estética vai sufocar o seu potencial aqui na Terra."

“Eu estava com acne aqui, isso é um monte de maquiagem. Eu estava sorrindo porque pensei que ficava bonita. Felicidade baseada em estética vai sufocar o seu potencial aqui na Terra.”

Com seu vídeo, Essena espera ajudar seus seguidores a “caírem na real”. “Como podemos ver a nós mesmos e nosso verdadeiro propósito / talentos, se estamos constantemente a ver os outros?”

“Quando você se deixar ser definido por números (“curtidas”, visualizaçõe, seguidores!), você se deixa definir por algo que não é puro, que não é real”, diz ela . “Isso não é amor. ” E era tudo que ela precisava ouvir quando tinha 12 anos…

“Por favor, valide meus esforços para parecer sexy com minha bunda sendo o foco desta foto”. Eu gostaria que alguém tivesse me chacoalhado e me dito que aos 16 eu tinha muito mais do que minha sexualidade. Isso era tudo que eu pensava que os outros queriam, isso é o que gera likes e era isso que eu achava legal. Não há nada legal nisso. Esta é uma foto tirada para ganhar likes. Não há nada inspirador nisso. A mídia social é uma ilusão.

“POR FAVOR, VALIDE MEUS ESFORÇOS PARA PARECER SEXY COM MINHA BUNDA SENDO O FOCO DESTA FOTO”. Eu gostaria que alguém tivesse me chacoalhado e me dito que aos 16 eu tinha muito mais do que minha sexualidade. Isso era tudo que eu pensava que os outros queriam, isso é o que gera likes e era isso que eu achava legal. Não há nada legal nisso. Esta é uma foto tirada para ganhar likes. Não há nada inspirador nisso. Mídia social é uma ilusão.

Editado: “Por favor, dê like nesta foto, eu me maquiei, enrolei meu cabelo, vesti um vestido apertado, usei uma bijuteria desconfortável... Tirei 50 fotos até que tivesse uma que achei que você fosse gostar, então editei este selfie com toneladas de aplicativos apenas para que eu pudesse me sentir aprovada socialmente por você.

Editado: “Por favor, dê like nesta foto, eu me maquiei, enrolei meu cabelo, vesti um vestido apertado, usei uma bijuteria desconfortável… Tirei 50 fotos até que tivesse uma que achei que você fosse gostar, então editei este selfie com toneladas de aplicativos apenas para que eu pudesse me sentir aprovada socialmente por você.

Essena lançou um site (Let’s Be Game Changers) para defender a consciência e a mudança, sobre a natureza destrutiva de tentar obter aprovação online. E agora só quer usar a rede e sua influência digital para o bem social.

*Atualização: em 04/11/2015 Essena apagou de vez sua conta no Instagram e Youtube.

O lanche escolar e a construção de um bom hábito alimentar

foto blog

escrito por Maria Beatriz Vasconcelos, pedagoga*

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“Direito a um bom início

Toda criança tem o direito de comer alimentos sãos desde o nascimento, de beber água limpa e respirar ar puro. ”
(Rubem Alves – Direitos naturais das crianças)

O contato com uma mãe muito consciente em vários aspectos da educação dos seus filhos e muito parceira com a escola onde seu menino de seis anos estuda, me provocou a escrever o tema deste mês: o lanche escolar. Este aspecto na rotina das famílias e da escola precisa ser repensado e ressignificado. Ela me relatou uma situação que deve ser refletida e problematizada quanto ao desafio de propor uma alimentação saudável para as crianças.

A situação é a seguinte: Ela procura conduzir a alimentação do filho de uma maneira mais saudável. Mesmo com a dificuldade de tempo da família ela tenta preparar um lanche selecionando alimentos mais naturais, menos industrializados e que favorecem um crescimento sadio. Entretanto, a escola que o filho estuda oferece, na lanchonete, lanches como refrigerante, salgados fritos, chips e guloseimas. Ou seja, a família convive com o desafio maior de convencer a criança diariamente a optar pelo lanche saudável. Se a escola tivesse a mesma proposta tudo seria diferente e a condução da família estaria sendo reforçada. A escola estaria cumprindo o seu papel: contribuindo para a educação da criança no seu desenvolvimento integral.

Contudo, não é isto que vem acontecendo. Muitas escolas negligenciam este aspecto da formação da criança e optam por explorar também este setor em prol de lucros. Mesmo na rede pública, com a criação das vendinhas nos horários de recreio isto é muito comum. Entretanto, já existe uma resolução da Secretaria de Educação de Minas Gerais de 2010, baseada na lei estadual 18.372/2009 que proíbe a venda e distribuição gratuita de alimentos muito calóricos, tais como frituras, doces, salgadinhos, picolés, refrigerantes e outros.

Atualmente vários estados no Brasil possuem uma legislação específica que exige das instituições de ensino a oferta de merendas saudáveis. Algumas escolas que ainda não cumprem a legislação argumentam aspectos financeiros quanto a contratos firmados com lanchonetes. Todavia, isto não pode ser uma justificativa aceitável para continuarem oferecendo lanches que “deseducam”, ou seja, não contribuem para a formação de um bom hábito alimentar.

Felizmente, já existem muitas escolas que cumprem esta legislação. Aí o desafio é outro… famílias que não conseguem ainda privilegiar uma proposta mais natural na alimentação dos filhos e optam pelo mais fácil: o produto industrializado, com excesso de sódio, açúcar, gordura saturada, conservantes e muitos outros ingredientes que não fortalecem um crescimento sadio. A dificuldade então passa a ser da escola em insistir e alertar às famílias, principalmente na Educação Infantil, de que nesta fase do desenvolvimento de uma criança a educação do paladar é super importante para a relação que ela terá com a comida para o resto da sua vida.

A maior parte destes alimentos, com alto teor de açúcar, gordura e sódio, quando apresentados em excesso durante a infância contribuem para criar o vício no paladar em produtos industrializados e a resistência em alimentos naturais que certamente o sabor não ressalta tanto açúcar e gordura. É neste tipo de consumo que observamos a resistência dos menores em experimentar e apreciar sabores de frutas, verduras e legumes. Boa parte hoje das crianças, cujo consumo é repleto de biscoito recheado, salgadinhos, refrigerante e outros, apresentam extrema resistência nas refeições adequadas. Me parece, que é no mínimo difícil, uma pessoa após seus primeiros anos de vida ter “viciado” nestes alimentos construir um hábito alimentar adequado à sua saúde.

Este contexto, “fast-food”, associado à problemática da publicidade infantil nas embalagens de lanches, é tão desafiador que muitas famílias acabam reforçando este consumo, por ser mais prático e rápido. Acabam comprando lanches industrializados, colocam na lancheira e pronto. Ou contratam a lanchonete da escola para fornecer o lanche que a criança quiser, em determinado valor, diariamente.

A situação é complicada, pois tanto as escolas quanto as famílias enfrentam este desafio em situações diferentes. No caso da mãe que citei no início do texto, a solução que talvez pensemos de imediato é da possibilidade de mudança de escola. Mas não é uma decisão simples, sempre envolve muitos outros aspectos pessoais da família que dificultam esta escolha. E, na verdade, esta seria a “solução” para esta família. E as outras que convivem naquele espaço? E a formação das outras crianças? Em muitos momentos precisamos enfrentar o problema para que a solução seja coletiva e beneficie a todos e não apenas a um. Neste caso a parceria entre a escola e família precisa caminhar na direção de algumas reflexões a cerca da alimentação em prol do crescimento dessas crianças.

A sugestão passa pela organização dos pais em apresentar a legislação para a escola, cobrar um posicionamento e apresentar o problema sempre que possível. Em momentos de reuniões de pais e outros encontros destacarem o desafio que vem enfrentando na educação da criança diante deste contexto. Por outro lado percebo que as escolas que possuem um programa de alimentação adequado já estão se mobilizando com diversas ações de sensibilização das famílias… Orientações em reuniões de pais, lanchonetes com alimentos mais saudáveis e até projetos que constroem o conhecimento da importância deste hábito de alimentação saudável.

Educar com amor é priorizar o “Direito a um bom início”, em todas as suas dimensões. Exige de nós encontrarmos formas mais plenas de garantir um desenvolvimento integral para as crianças e a alimentação é, de fato, o começo de todo o cuidado que elas necessitam e precisarão de condução ao longo de bons anos. Quer saber mais sobre o assunto? Se envolver com a discussão e propor mudanças em sua família e/ou na escola do seu filho? Acesse os sites:

– Movimento Infância livre de consumismo: http://milc.net.br/tag/alimentacao-saudavel/

– Rede Brasileira Infância e Consumo: http://rebrinc.com.br/

Maria - Foto para colunaTEXTO ESCRITO PELA COLABORADORA:

Maria Beatriz  Vasconcelos, pedagoga, especialista em Educação Infantil. Atua como Professora Alfabetizadora na rede pública e privada em Belo Horizonte. Possui experiência como consultora educacional em formações docentes no segmento da Educação Infantil e séries iniciais do Ensino Fundamental.

Contatos:  mariabeatrizrn@hotmail.com / (31) 9480-4317

Preocupação cuidadosa primária e secundária

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Texto escrito por Fábio Belo, Professor adjunto de Psicanálise, da UFMG*

 Winnicott tem um conceito bastante importante: preocupação materna primária. Através dele, o autor nos diz de um estado especial que as mães ocupam quando estão grávidas e nos primeiros meses de vida do bebê. Trata-se de uma preocupação no sentido de uma identificação com seu bebê de tal forma a estar presente de forma estável e suficientemente boa para aquilo que a criança precisa e demanda espontaneamente para continuar a ser, sem muitas interrupções e invasões.

Tenho criticado recentemente o caráter ideológico desse conceito. A meu ver, ele acaba por atrelar muito fortemente a condição física e também de gênero à noção de cuidado. Como o próprio nome do conceito indica, trata-se de algo materno. Ora, o cuidado, no entanto, é uma capacidade psíquica que devemos pressupor em todos os humanos, independente de sua condição anatômica e de gênero. Acredito ser mais winnicottiano, inclusive, acolher gestos cuidadosos como parte do que alguns de nós endereçam espontaneamente para os outros.

Por preocupação cuidadosa primária entendo o cuidado que um sujeito tem para com um bebê. Tanto faz se é homem ou mulher, pai ou mãe, biológicos ou não. Trata-se do desejo suficientemente estável de acolher o bebê também como sujeito, mesmo que seu comportamento nada diga da presença efetiva de um eu organizado. Essa pressuposição identificatória – ver alguém completo e complexo já desde os primeiros dias (e até no útero) – é a base da preocupação cuidadosa. Trata-se ainda de estar atento ao gesto espontâneo da criança no sentido de constituir uma temporalidade adequada ao cuidado. Não chegar nem muito cedo, nem muito tarde. A preocupação não é ansiosa, apenas atenta de forma quase permanente. Nesse sentido, é ato de cuidado saber esperar que a criança demande para só então agir para atender a esse chamado, de forma disponível e estável.

A partir dessa base, o adulto pode se distanciar aos poucos e também ir apresentando novos elementos à criança de tal forma a ir dando a ela condições de distinguir entre seus desejos e os limites que o adulto e o mundo impõem a eles. Aqui entra em jogo a preocupação cuidadosa secundária, presente ao longo de toda a vida. Trata-se do jogo que fazemos uns com os outros de estar disponível, momentaneamente, para escutar e fornecer espaços potenciais para que o desejo de alguém possa se apresentar e se realizar em alguma medida.

No campo da educação, a criança irá exigir bastante dessa preocupação secundária, pois ela deseja atenção e espaço para manifestar-se e ser escutada de forma singular. O sistema educacional, no entanto, como deve fazer a criança se adequar muitas vezes, será alvo de grandes ataques da criança. É preciso escutar os muitos tipos de ataque que a criança endereça aos adultos em situação pedagógica. Alguns desses ataques podem significar que o adulto perdeu algo, deixou de ver algo importante que a criança está a dizer e que ele deve voltar atrás e tentar escutar melhor.

A preocupação cuidadosa secundária cria, portanto, um espaço transicional no qual todos os envolvidos aprendem a jogar com paradoxos importantes, como aquele que diz que podemos estar juntos mesmo um tanto isolados uns dos outros. Podemos realizar muitos dos nossos desejos, mesmo que sempre abrindo mão de partes importantes deles. Podemos auxiliar o outro a enunciar melhor o que deseja, dentro da possibilidade de realização do mundo que ocupa.

A educação é a arte de operar com essa preocupação cuidadosa secundária. Saber o momento de fazer o mundo ceder mais espaços e também o momento de fazer o sujeito cooperar e encontrar uma forma mais possível de se realizar no mundo em que ele encontra. Principalmente: a educação é a fabricação permanente de um espaço potencial, um espaço que continue sempre a se engendrar, no qual tal jogo possa continuar a ocorrer sem exigir renúncia e submissão em demasia de nenhum de seus participantes.

 Belo Horizonte, 30/05/2015

fabiobeloTEXTO ESCRITO PELO COLABORADOR:

Fábio Belo, psicólogo e psicanalista, Mestre em Estudos Psicanalíticos (Fafich/UFMG), Doutor em Literatura (Fale/UFMG) e atualmente é professor adjunto de psicanálise no departamento de Psicologia/UFMG. 

Contatos: www.fabiobelo.com.br / fabiobelo76@gmail.com

Vamos brincar com nossas crianças

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Texto escrito por Rafael Carvalho, psiquiatra infantil*

Olá queridos(as) leitores(as). É com enorme prazer e satisfação que inauguro esse novo espaço no qual compartilharemos e discutiremos temas diversos sobre Psiquiatria da Infância e Adolescência,  educação e comportamento infantil. É sabido que profissionais de saúde, principalmente aqueles envolvidos na Psiquiatria/Psicologia não devem aconselhar seus pacientes e sim ajudá-los a encontrar os próprios meios de solucionar seus conflitos. Mas me julgo no direito de já começar “errado” (rsrsrs) e contrariar a regra! Aí vai um grande conselho, daquelas famosas dicas de ouro: Vamos brincar com nossas crianças!!!

Mas vocês, queridos(as) leitores, diriam: “Nossa, além de aconselhar, ele foi muito óbvio” !!?!!

Não meus caros, não fui! Como vocês perceberão, não é assim tão simples e instintivo. Muito do que discutiremos sobre educação infantil exige método, paciência, regularidade e muita, muita dedicação. Não é diferente com a atitude de brincar com as crianças. Sabe aqueles compromissos que nós temos e que não podemos deixar de cumprir nunca, nem mesmo nos dias em que não sobra tempo para nada, em que estamos cansados, tristes ou irritados ? Assim também deve ser nosso compromisso de brincar com nossos filhos.

Nesses momentos preciosos os pais intensificam os laços de intimidade e cumplicidade com suas crianças. Nesses momentos nos aproximamos de verdade dos nossos filhos, conhecemos a forma infantil de ver o mundo e descobrimos as particularidades que fazem sua criança única e especial.

Introduzo aqui um conceito sobre o qual voltaremos a conversar : O Recreio Especial.

Consiste em convidar seu filho DIARIAMENTE (TODO DIA MESMO, MESMO AQUELES MAIS DIFÍCEIS) para brincar com você durante 30 minutos. Não é tanto tempo, dá para ser feito. Ele escolhe as brincadeiras a serem realizadas, nas regras dele e você verá o quanto ele se sentirá realizado e amado. Vale ensinar algumas brincadeiras clássicas, de sua infância (depois explico o porquê das “brincadeiras clássicas”!). Não vale ver TV ou coisa semelhante; é preciso interagir diretamente no tempo em que permanecerem juntos. Dessa forma você aumenta seu vínculo e cumplicidade com seu filho e experimentará uma relação mais próxima e prazerosa. Outro beneficio imenso é que você também aumentará  a tendência de seu filho de colaborar com você e obedecer. Você e ele ganham em todos os sentidos!

Além de aproximar você de seu filho, promovendo até mesmo a obediência, o “recreio especial” preenche uma lacuna moderna da vida das crianças: A dificuldade para brincar “de verdade”. Tente se lembrar da sua infância e das brincadeiras que você brincava: Esconde-esconde, queimada, rouba-bandeira, amarelinha, colorir, desenhar, bicicleta, patins, futebol (na rua!!! Praticamente impossível hoje, infelizmente), forca, adedanha. Mas cadê o computador, o tablet, o celular, o vídeo game? Não precisávamos deles! Nossas brincadeiras eram simples, divertidas e dinâmicas. Nos exercitávamos, corríamos e além de nos divertir, evitávamos o sedentarismo! Bom demais!!! Crianças felizes e ativas. Podemos ajudar a evitar a obesidade infantil e seu filho gastará energias, irá descansar e dormir bem e sobra tempo para os pais ficarem juntos, o que passa a ser um privilegio após a paternidade/maternidade.

Sendo assim, desta vez posso aconselhar e vocês estão livres para escutar meu conselho: Vamos brincar com nossas crianças!!

(crédito da imagem deste post: Google Imagens)

RafaelTEXTO ESCRITO PELO COLABORADOR:

Rafael Almeida de Carvalho, graduado em medicina (UFMG), é médico psiquiatra infantil com formação em Psiquiatria pelo Hospital Ipsemg e em Psiquiatria da Infância e Adolescência pelo Hospital das Clínicas de Minas Gerais. 

Contato: rafaelcarvalho125@yahoo.com.br 

A criança não é de plástico

google imagens

Lembro-me recentemente de uma polêmica sobre a alimentação em torno de uma frase que dizia, somos aquilo que comemos. Discutiram a exaustão essa frase. Se ela tinha sentido, se não tinha, qual é o tipo da nossa comida, e por aí seguiu. Volta ou outra, o tema retorna.

Como alguém próximo da filosofia, eu diria algo a mais do que esta frase, somos aquilo que comemos, que escutamos, que falamos, que pensamos, somos os lugares que andamos…

Quero dizer que não somos uma ilha deserta posta no mundo. Uma mônada fechada e lacrada em si mesma. Somos feitos de uma tecido carnal que é, em si mesmo, poroso, permeável. Ou seja, algo do que comemos, do que vemos, ouvimos, e dos espaços, interferem em nosso modo de ser. Não somos uma essência dura e já pronta para enfrentar a vida. Ao contrário, somos um tecido poroso. Desse modo, podemos ser habitados por uma série de coisas.

Quando passamos um tempo observando o mar, as ondas, temos a sensação de que o mar nos invade, ou melhor, ao olhar para ele convidamos que ele nos habite por alguns instantes. Muitas pessoas se sentem tranquilizadas com essa paisagem. Assim também acontece ao olharmos demoradamente paras as montanhas aqui de Minas. Elas passam a fazer parte do nosso interior. Aliás, dizem que os mineiros são mais desconfiados que os outros brasileiros, pelo fato de viverem entre montanhas e nunca saberem bem o que pode vir do outro lado. Morar entre montanhas é diferente de morar no litoral e certamente isso tem um impacto na cultura local, na vida das pessoas.

É neste sentido que digo que somos “habitados” pelas coisas que comemos, olhamos, escutamos. Faz sentido a frase de que somos transformados de algum modo naquilo que comemos. Da mesma forma que também faz muito sentido em dizer que somos transformados naquilo que ouvimos.

Imaginem você uma criança crescer ouvindo que ela é burra, feia, chata, ou cara do papai. Algo disso tudo ela vai tomar para si ao internalizar essa escuta e essa paisagem. É justamente por isso, que precisamos ser zelosos com as situações que vamos expor nossas crianças.

Uma pergunta que me ajuda muito a pensar se eu devo ou não apresentar algo para uma criança é imaginar em que ela poderia se transformar ou ouvir, ver, comer tal coisa a ser apresentada. É obvio que, não vamos ser neuróticos (muito acentuados, seremos só um pouquinho mesmo!) com relação ao que nossas crianças veem, comem e escutam.

Mas também não podemos ser ingênuos em negar que as situações pelas quais estamos colocando aquela criança não a influenciará em nada. Precisa de zelo, muito zelo, neste processo. A criança tende a absorver muito mais coisas que nós. É como se o filtro delas fosse fino e permitisse passar mais ruídos que os nossos.

Essa situação transformaria meu filho/a em que?

Essa pergunta é uma ótima dica para discernirmos o que será melhor em sua alimentação, formação cultural, enfim, em sua educação em sentido geral.Enfim, seu filho não é um brinquedo de plástico e inatingível. Ele, como nós, é de carne porosa…

Como em educação não temos receita, perguntar é um ótimo caminho para se achar o melhor.

Na convivência não existe play, pause e off!

Front view of two boys (6-7, 8-9) playing Video Games

 escrito por Maria Beatriz Vasconcelos, pedagoga *

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“Eu descobri que as coisas boas da vida são de graça, não custam nada…”.
(Paula Santisteban e Eduardo Bologna)

Quero inaugurar a coluna trazendo algumas inquietações de uma professora preocupada com o modo de relações que são estabelecidas no convívio de nossas crianças.

A escola é o grupo social que a criança passa a participar formalmente posterior à família, que até então assumia todas as instâncias de formação e condução. Ela se torna um espaço privilegiado para o despertar do convívio social mais amplo e o desenvolvimento de muitas habilidades. Dentre todas elas destaco hoje o exercício da convivência, do aprender a ser “humano” em conjunto e assim construir várias possibilidades de crescimento em sociedade.

A partir deste momento na vida de uma criança, em que passa a freqüentar diariamente um espaço maior de convívio, muitos desafios são postos a todos os sujeitos envolvidos neste processo: famílias, professores e estudantes. Nesta prosa vou me ater ao desafio que acredito ser um dos mais importantes atualmente: o espaço tempo de construção da vida coletiva. Para a criança a escola torna-se o principal lugar da possibilidade de efetivação desta construção.

Neste sentido, muitas perguntas nos inquietam: quais as relações que nossas crianças estão estabelecendo no percurso de um crescimento saudável, pautado em uma socialização paciente e capaz de escutar, perceber o outro e aprender? Esta infância que hoje já manuseia aparelhos eletrônicos desde a mais tenra idade também está sendo estimulada e orientada para o convívio social? Será que elas percebem que o desafio da convivência não é simples como manusear um controle remoto, mouse ou manete de vídeo game?

Tem sido comum as queixas entre professores e professoras quanto às crianças chegarem à escola e ou frequentarem este espaço sem preparo para uma convivência coletiva. Meninos e meninas que fazem valer suas vontades diante de propostas para todos, ansiosos para falar, sem quietude para escutar, com dificuldade em esperar a vez e agitados durante todas as vivências na escola, até mesmo durante o momento da alimentação.

Tudo isto me faz refletir acerca do modo de vida que nossas crianças estão vivenciando e construindo em suas relações cotidianas. A cada família que converso escuto relatos de que boa parte do dia dos seus filhos tem sido ocupada com uma agenda cheia e por vários tipos de tecnologia digital, sem limite e equilíbrio no tempo de utilização. Isto me preocupa, pois sabemos o quanto as respostas dadas pelos aparelhos eletrônicos são imediatas… já na convivência coletiva isto nem sempre acontece. É preciso ser capaz de ser paciente, esperar e escutar ao convivermos em um grupo, para além do aspecto da discussão acerca da disciplina. Esta capacidade de se colocar em um grupo com tranquilidade e quietude é construída em diversas vivências que a criança participa. Aqui estou tratando da formação de um sujeito capaz de conviver socialmente e aprender diante do desafio que é perceber que assim como ele os outros também merecem atenção, escuta e participação.

Observo que muitos estudantes que apresentam dificuldades nas relações com os demais (paciência, escuta, etc), convivem diariamente com o uso excessivo dos aparelhos eletrônicos, comem ao mesmo tempo em que assistem TV e se distraem com outros objetos, sem dar um “pause”. Ao apreciarem uma leitura demonstram ansiedade pelo término e, se pudessem, usariam um controle remoto para controlar várias ações do dia – adiantar, voltar, pausar, pular.

Imagino que ao ler tudo isto a pergunta que fica é: Meu filho tem agido assim? E ai, o que fazer?

A opção que hoje me parece ser mais coerente com o aprendizado da convivência envolve uma escolha crucial: a urgência em priorizarmos a construção de outro ritmo nas relações em todas as dimensões. Vivemos o tempo do instantâneo, do imediato e isto reflete diretamente no desenvolvimento das crianças. A rotina de compromissos e o uso excessivo de tecnologias digitais parece estar substituindo vivências importantes nesta etapa de crescimento.

Cabe-nos investigar como está o tempo do ócio, da brincadeira, dos jogos na vida das nossas crianças. Estas práticas que deveriam ser privilegiadas estão sendo deixadas de lado. Através destas, poderíamos possibilitar estímulos e incentivos à percepção de que tudo envolve processo, principalmente a convivência no coletivo.

Precisamos redirecionar o nosso olhar e nossas ações em busca de um novo ritmo de organização e interação social. A escola reflete o que a sociedade e a época apresentam. E já sabemos que o momento é desafiador. Devemos então começar uma forte parceria para incluirmos práticas simples, mas grandes em significados no dia-a-dia das crianças. Experimentar atividades que oferecem a percepção do processo e a construção da paciência pode ser “… de graça, não custam nada” como nos diz esta linda canção.

Plantar, cozinhar, apreciar a arte em suas diversas linguagens, caminhar, criar algo novo… BRINCAR!!!! Tudo isto certamente envolve outra temporalidade e nossas crianças poderão crescer se relacionando melhor coletivamente, sabendo esperar e percebendo que tudo tem um tempo próprio e que a convivência no coletivo não se dá com auxílio de play, pause e off!

(Créditos da ilustração: retirada do Google imagens / Image by Mike Kemp/Tetra Images/Corbis)

Maria - Foto para coluna

TEXTO ESCRITO PELA COLABORADORA:

Maria Beatriz  Vasconcelos, pedagoga, especialista em Educação Infantil. Atua como Professora Alfabetizadora na rede pública e privada em Belo Horizonte. Possui experiência como consultora educacional em formações docentes no segmento da Educação Infantil e séries iniciais do Ensino Fundamental.

Contatos:  mariabeatrizrn@hotmail.com / (31) 9480-4317

Comunicação e motivação – Post 2: como motivar a criança

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“Somos todos geniais. Mas se você julgar um peixe pela sua capacidade de subir em árvores, ele passará sua vida inteira acreditando ser estúpido”. (Albert Einstein)

“Como fica forte uma pessoa quando está segura de ser amada”.  (Freud)

No post anterior, comentei com vocês como às vezes nós esperamos que a situação mude, mas não mudamos nossas atitudes perante a situação. Assim, insistimos em agir de uma determinada forma que achamos que vai dar resultado, mesmo que a realidade esteja nos mostrando que nada está mudando.

Percebi isso em muitos atendimentos nos quais observava algumas atitudes adultas que não promoviam nenhuma motivação para a criança mudar seu comportamento. Taí a nossa palavra-chave.

Alguns pais relatam um determinado comportamento inadequado e repetitivo da criança – birras, desobediência, agressividade – e tentam corrigi-los com uma constante repreensão, críticas e punição. Não foram poucas as vezes em que me deparei com adultos que já não elogiavam os filhos e nem mesmo descrevia nenhum de seus aspectos positivos. Tudo que eu ouvia eram palavras negativas, às vezes com raiva, cansaço, irritação – o que é totalmente compreensível, porque, como eu disse no post anterior, a gente sabe que se trata de um erro tentando acertar. Isso acontece com todos nós.

Mas para compreendermos como as palavras negativas influenciam na atitude da criança, tornando-a desmotivada a agir da forma adequada, e como uma comunicação positiva serve de estímulo aos comportamentos desejados, costumo fazer uma analogia com um ambiente de trabalho adulto.

Suponha que seu patrão pediu-lhe para realizar uma nova tarefa, e ensinou-lhe como fazer, passo a passo. Na primeira vez você fez rápido, de forma desleixada e equivocada, e apresentou a tarefa realizada a ele. Ele criticou o seu comportamento e o trabalho feito, apontando todos os defeitos que carregava e afirmando que você era incapaz. Então pediu, de forma ríspida, que fizesse novamente e corretamente, ou receberia uma punição. Você, desta vez, com medo de ser criticado e punido, fez o trabalho com mais cuidado e tentando prestar atenção aos pontos importantes. Apresentou a tarefa ao seu patrão, que criticou os erros que ainda haviam sido cometidos e, sem observar o esforço que você dedicou, aplicou-lhe a punição e ainda lhe deu mais trabalhos, completando que duvidava que você desse conta. Você agora se esforça e tenta fazer da melhor forma possível, mas o patrão já espera que você vá apresentar errado, e a todo momento critica-o e  duvida da sua capacidade, dizendo que você nunca faz nada corretamente e não consegue cumprir ordens. Novamente, ao entregar a tarefa ao patrão, ele só enxerga os defeitos, criticando-os e punindo-o, e nem percebe a sua dedicação e os acertos que você conseguiu obter naquela tarefa. Em determinado momento, aquele ciclo te deixa cansado, e você, sabendo que o patrão só vai criticá-lo e nunca vai enxergar seus pontos positivos, desiste de fazer a tarefa bem-feita e volta a fazer de forma desleixada – afinal, é isso que ele espera mesmo de você (e também porque você já está tão irritado que passou a “pirraçar” o seu patrão).

Suponhamos agora essa mesma situação, diante de um patrão com outra atitude. Ao receber o seu primeiro trabalho realizado de forma desleixada, ele chama a sua atenção para os pontos negativos mas ressalta os positivos, dizendo que sabe que você é capaz de muito mais do que aquilo. Assim, pede-lhe para fazer novamente o trabalho, se oferecendo para sanar qualquer dúvida. Você realiza novamente, um pouco contrariado, mas tentando não cometer os mesmos erros para não desapontar o patrão. Ao apresentar novamente a tarefa, seu patrão elogia-o, dizendo como você melhorou da última vez para agora, e que, apesar de ainda ter alguns erros no trabalho, gostou de saber que você se esforçou e que mostrou que pode ser capaz. Ele, depois de ressaltar seus aspectos positivos, lhe aponta onde ainda existem erros e como você pode corrigi-los, usando suas habilidades. Você gostou de receber aqueles elogios e conquistar a confiança do patrão, então agora procura seguir suas coordenadas e realizar a tarefa conforme foi pedido. Ao apresentar novamente, o patrão elogia-o pelo cumprimento e pela constante evolução, parabeniza-o pelo esforço e pela tarefa bem cumprida, e ao enxergar um pequeno engano irrelevante cometido, ignora-o para não desmotivá-lo. Porém, ao pedir-lhe a próxima tarefa, o patrão fica atento se esse engano está sendo cometido novamente, enquanto você está desenvolvendo o trabalho; e ao perceber que você vai se equivocar desta vez, orienta-o sobre qual o caminho melhor a seguir naquele momento. Você sente que está agradando ao patrão, que ele está prestando atenção em você e te dá valor; dessa vez, faz seu trabalho com bastante atenção e cuidado, da forma que ele lhe orientou. Ao apresentar ao patrão, este novamente o elogia e ainda lhe dá aquele dia de folga que você estava querendo, pois você conseguiu adiantar seus trabalhos e se superou. A partir desse dia, você ficou muito mais motivado a trabalhar e cumprir as tarefas, mostrando todas as suas habilidades.

Claro que não estou “comparando” uma relação de trabalho a uma relação parental; foi apenas uma analogia grosseira para percebermos que certos comportamentos são próprios do ser humano, adulto ou criança, e não exclusivamente do universo infantil. Assim, por exemplo, um elogio (SINCERO, ESPONTÂNEO E VERDADEIRO!) pode ser força motivadora de qualquer pessoa. E às vezes, se pararmos pra refletir que aquilo poderia ser a minha realidade, talvez possamos compreender melhor como a criança se sente em uma situação semelhante.

Invistamos, pois, em observar mais os aspectos positivos de um comportamento e ressaltá-los. E, mesmo que os aspectos negativos ou inadequados estejam muitos fortes e resistentes, tomemos o cuidado de não deixarmos que isso impeça-nos de enxergar a totalidade da realidade daquela criança. (Que fique bem claro: isso não é viver como “Poliana” nem “ver o mundo cor-de-rosa”, não. Simplesmente é importante que a correção venha acompanhada de reflexão e de motivação).

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(Créditos das fotos: retirada do Google Imagens)

 

Comunicação e motivação – Post 1: Sobre errar, aprender e mudar

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“É insanidade fazer a mesma coisa dia após dia e esperar resultados diferentes”. (Albert Einstein)

“Alguém que nunca cometeu erros, nunca tratou de fazer algo novo”. (Albert Einstein)

Imaginem vocês que eu tenho em mãos uma garrafa de água, fechada com uma tampa. Eu quero abrir essa garrafa, mas não sei como funciona seu mecanismo de abertura. Então eu tento girar a tampa no sentido contrário à sua abertura, fechando-a ainda mais. Estou vendo que ela não está abrindo, mas eu continuo acreditando que é desse jeito que eu vou abrir a garrafa. Assim, junto todo meu esforço e continuo girando a tampa nesse sentido. E passam-se horas nessa tentativa, mas a garrafa não abre.

Qual seria a atitude mais razoável que eu teria de tomar, diante dessa evidência que se me mostra?

Bom, imagino que vocês tenham respondido “tentar outra forma de abrir a garrafa, já que você percebeu que assim você não conseguirá”.

Pois é. Às vezes passamos muito tempo insistindo numa tentativa de fazer as coisas mudarem, mas agindo sempre da mesma forma.

Vejam bem: reconhecer que era preciso mudar de atitude não significa que eu não estivesse tentando abrir a garrafa na melhor das intenções, com esforço e dedicação. Eu estava colocando toda a minha energia e estava fazendo o melhor que eu podia, naquilo que eu achava que era correto. Assim como tantos pais ou educadores fazem com suas crianças.

Mas em determinado momento, preciso humildemente perceber que, se não está funcionando daquele jeito, é porque o jeito que estou tentando pode estar equivocado.

Falamos muito sobre como as crianças aprendem com os erros, mas é bom lembrar que os erros são e serão cometidos por todos nós também, adultos. Inevitavelmente. E é através dos erros que vamos tentando abrir novos caminhos na educação.

Quantas vezes não ouvi pais lamentando que “sempre coloca a criança de castigo, mas ela não melhora”, “sempre faz tudo o que ela quer, mas ela não lhe obedece”, “sempre fala pra ela que é uma malcriada, mas ela não ouve”. Vamos refletir: se depois de um longo tempo de tentativa de mudança do comportamento da criança através de determinadas atitudes, percebemos que a criança não muda, ou até piora, é preciso parar e verificar se não estamos tentando abrir a garrafa no sentido contrário. E aí, tentar uma nova forma de abri-la.

Nem sempre a garrafa pode abrir apenas girando a tampa para o outro lado – isso também pode não dar certo. É preciso entender que, às vezes, tentarei várias formas de abrir aquele recipiente, mas no final descobrirei que aquela tampa nem abre girando, ou que a tampa está do outro lado, ou que a garrafa possui abertura vertical. Algumas, só com abridor; outras, só saca-rolhas. Para isso, é preciso estarmos bem atentos, observar bastante “nossa garrafa” e prestar bastante atenção no que é que a situação está me solicitando.

Reconhecer que a realidade está nos pedindo outra coisa é um primeiro passo para a mudança (da nossa atitude e da realidade que eu quero mudar). A partir do momento em que percebemos que nossa ação está caminhando num sentido em que nada muda, é hora de refletirmos, observarmos e tentar girar a tampa da garrafa em outras direções.

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No próximo post, dando continuidade a este assunto, vou comentar situações difíceis em que às vezes, insistimos em agir da mesma maneira, e quais resultados podem decorrer disto.

(Créditos das imagens: Banco de imagens do Google, e https://365nuncas.wordpress.com)