Posts por 'Myriam Leticia'

11 brincadeiras criativas para dias de chuva (ou de frio)

E você acha que brincadeira legal e criativa só pode acontecer ao ar livre? OU… Você acha que brincadeira dentro de casa se restringe a vídeo-game, computador, ipad e celular?** (vejam observação  quanto a isso no final do artigo).

O verão já está aí, e com ele a gente aguarda não só dias cada vez mais quentes, mas também as esperadas chuvas (pelo menos assim torcemos né… porque, cá pra nós, estamos precisando!).

E para os dias em que a bendita chuva há de cair é que a gente já está aqui dando algumas sugestões de brincadeiras criativas que podem ser propostas dentro da sua casa ou apartamento! (Vale até pra quando falta energia e você acha que não tem mais nenhuma opção de entretenimento… acende as velinhas e fica ligadinho aí nessas dicas! ;)

Aproveitem e guardem essas dicas também pra quando aquele friozinho serenado de inverno chegar e faltar a famigerada coragem pra sair de casa… :P

Ah! Lembrando que existem brincadeiras cooperativas (aquelas que ninguém ganha ou perde) e as competitivas. Nestas últimas, a gente prefere orientar a fazer com que a brincadeira fique mais engraçada e leve, e isso pode ser feito através da inserção de prendas que sejam divertidas para todo mundo (por exemplo, cantar ou dançar). Isso acaba fazendo com que a competição seja aproveitada por todos, tanto por quem ganha quanto por quem perde. ;) Ah! É claro que prendas humilhantes ou constrangedoras nunca são indicadas, isso não precisamos nem dizer, não é. ;)

Outra coisa: para cada brincadeira, descrevi a faixa etária que costuma ficar mais entretida com aquela atividade. Isso não quer dizer que indicamos somente para aquela faixa etária (na verdade, além do interesse das crianças, tudo vai depender também da supervisão e participação do adulto, porque a maioria são brincadeiras com uso de tesouras e outros materiais encontrados em casa mesmo, então a nossa ideia é que o adulto SEMPRE brinque junto com a criança!). O que quero dizer com a descrição da faixa etária é que vai ser mais comum encontrar crianças entretidas naquela atividade com aquela faixa etária, mas não quer dizer que uma criança de outra faixa etária não possa se divertir também (é claro que pode!). Lembrando sempre que consideramos a participação dos adultos junto a todas as brincadeiras!

Então, vambora, se liga aí! ;)

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1) REAPROVEITANDO PAPELÃO

Que tal aproveitar as caixas de papelão dos móveis e eletrodomésticos que você compra em casa, ou mesmo essas caixas de supermercado? Dá pra fazer avião, barco… Tem até mini campo de golfe com caixa! Vocês podem cortar juntos os moldes, colar (com cola ou fita adesiva), pintar…

Se não dispuser de muito papelão assim, caixas simples de sapato (isso todo mundo tem, né?) podem ser aproveitadas para fazer lindas máscaras para a criançada! Além disso, as tampas das caixas de sapato junto com palitinhos de picolé podem virar divertidos “pinballs”! Dê uma olhada abaixo e se inspire.

Materiais: Papelão ou caixas de sapato, cola ou fita adesiva, tesoura sem ponta, lápis de cor ou tintas ou canetinhas hidrocor, palitinhhos de picolé, pincéis (no caso de tintas), rolos de papel toalha, bolinhas para complementar as brincadeiras (para o pinball, por exemplo). Dependendo, pode ser bolinhas de papel.

Idade: Essa diversão costuma entreter muito as crianças na faixa de 2 a 9 anos de idade.

aviao de papelao  barco de papelao

golfe de papelao

pinball gigante

mascaras de papelao

pinball de papelao

OBS: Acabei de lembrar que meu afilhado Luca, de quase 1 ano e 11 meses, ama pegar jornais e nos pedir pra fazermos “papéu” pra ele (chapéu!). Então, a gente canta “marcha soldado” e isso rende alguns bons minutos de brincadeira! E haja “papéus”. rsrs.

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2) BRINCADEIRAS COM COPOS DESCARTÁVEIS

Uma dica: Não jogue os copos fora! Deixe-os separados especialmente para brincar, assim a brincadeira fica sustentável e você não tem que usar sempre novos copos descartáveis! ;) Inclusive os copos podem ser pintados e/ou enfeitados pelas crianças. :)

– Materiais: copos descartáveis, bolinhas de papel (aproveite para reaproveitar papéis usados em casa para fazer as bolinhas!), rolos de papel toalha, tintas e pincéis e fitas adesivas para customizar os copos (se quiser).

– Idade: Estas brincadeiras costumam entreter crianças na faixa de 4 a 10 anos de idade.

torre de copos

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3) CONTAR HISTÓRIAS: TEATRINHO COM FANTOCHES

Oba! Hora da historinha!

Eu amo esses fantoches fofos de mão e de dedinho que vendem por aí! Tem de feltro, de pano… Mas pra quem não tem desses em casa, pode improvisar na hora e fazer os seus mesmo! É só deixar a criatividade fluir. Papel, tesoura, cola, fita adesiva, tinta, lápis de cor, palitinhos… Tem várias inspirações aqui embaixo.

Você não precisa criar apenas personagens prontos, tipo Chapeuzinho Vermelho ou Frozen. Não se prenda só às historinhas conhecidas. Claro que também podem ser interessantes, mas permita-se inventar junto com as crianças. Invente os personagens, suas características… Invente as histórias junto com as crianças! Aproveite, solte sua imaginação também, ela funciona! ;)

Quem tiver empolgado, pode aproveitar e montar o cenário completo dos fantoches! Usando as caixas de papelão que falamos lá no item 1, lembram? Aqui embaixo também tem algumas inspirações pra vocês!

Lembrem-se: incluam as crianças no processo da confecção da brincadeira! Permitam que elas mesmas criem seus fantoches, seus cenários… e suas histórias! Vocês não precisam apresentar tudo pronto pra elas e contar as historinhas. Muitas vezes, o meio é a  próprio brincadeira; e o caminho pode ser muito mais divertido que o fim. ;)

– Materiais: Papelão, caixa de sapato, cartolina, papéis variados, lápis de cor, tintas, pincéis, tesoura sem ponta, cola e fita adesiva, canetinhas hidrocor, outros materiais que quiser para ajudar a customizar os fantoches e cenários (panos, fitas, lãs, etc); palitinhos de churrasco (preferencialmente) ou picolé.

– Idade: Esta brincadeira costuma entreter as crianças de 3 a 7 anos de idade. Mas a contação de histórias em si entretém até mesmo os bebês!

fantoche de palitinho 2

fantoche de palitinho fantoche de papel 2 fantoches de papel

teatrinho fantoches 2 teatrinho fantoches

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4) AMARELINHA E JOGO DA VELHA COM FITA ADESIVA

E aí bate aquela vontade de jogar amarelinha, tá chovendo, não dá pra ir lá pra fora riscar aquele giz no chão (que foi assim que a gente aprendeu, né?), e você nem pensa em riscar o chão do seu apartamento de giz, carvão ou qualquer coisa parecida…

Bom, fica aqui uma dica! Quando o chão não é desses que qualquer colinha de fita adesiva vai deixar marca fácil (não sou muito entendida de pisos :P), você pode utilizar fita crepe ou durex colorido pra fazer os números no chão! Ou até mesmo escrever os números em papel e colar os papéis no chão com fita transparente mesmo. :)

“Mas a pedrinha vai riscar meu chão”. Que pedrinha o quê, criatura! Dá pra jogar até com uma bolinha mais densa feita de jornal… Mas se achar que ela não fica boa pra jogar, sabe aquela meia velha que ninguém em casa usa mais? Então, se você faz uma bolinha de meia, certamente ela não vai causar nenhum estrago. :P Se quiser que ela fique mais pesadinha, põe um bocadinho de grão lá dentro (pode ser um punhadinho de arroz, feijão… ;).

Mas olha… Não deixa de se divertir com suas crianças por causa de um chão, tá. :)

Ah! Também dá pra utilizar a fita pro “jogo da velha” (curioso esse nome, né? rs! Alguém sabe o porquê dele?) e traçar o o quadradinho # no chão (hoje a gente chama de hashtag! hahaha). Aí, é só usar, por exemplo, por exemplo, objetos diferentes, ou de cores diferentes, pra irem marcando as “bolinhas” ou os “xis” do jogo (exemplo: um jogador marca com seus chinelos, e outro jogador marca com seus tênis. É uma forma divertida de jogar! ;).

– Materiais: fita crepe ou durex colorido; bolinhas de papel ou bolinha de meia com grãos dentro, no caso da “amarelinha”; quaisquer objetos de mesma categoria que possam servir para marcar pra cada um dos jogadores, no caso do “jogo da velha”.

– Idade: Essa diversão costuma entreter crianças na faixa de 4 a 10 anos de idade.

amarelinha de apartamento

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Mas o velho papel e caneta também rende boa diversão com o “jogo da velha” em casa! Falando nisso…

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5) PEGA PAPEL E CANETA! FORCA, JOGO DA VELHA, ADIVINHAÇÃO E ADEDANHA

 Acho que todos eles já são conhecidos. Quem nunca brincou de algum dos jogos acima?

A forca consiste em pensar em uma palavra, traçar os espaços correspondentes às letras dessas palavras e desenhar uma forca. A outra pessoa precisa adivinhar qual é a palavra, dizendo letras que ela acha que está contida naquela palavra. A cada tentativa falha, uma parte do corpo do bonequinho é desenhado na forca. Se o bonequinho for desenhado completamente antes da pessoa adivinhar a palavra, a pessoa perdeu o jogo (parece mórbido, risos, mas é divertido!). Geralmente, pra ficar mais fácil, pode-se escolher uma categoria para a palavra ou dar uma dica. Por exemplo: é um animal, ou é um objeto, etc. :)

jogo da forca

 Já o jogo da velha a gente já citou no item anterior na proposta de jogar no chão, como a amarelinha, fazendo uma alternativa ao lápis e papel. Também é jogado em dupla, e consiste em traçar esse quadradinho # no papel, e a partir daí, uma pessoa de cada vez vai preenchendo um espaço dessa “hashtag” com um símbolo escolhido por ele: bolinhas ou xis. Ganha quem conseguir traçar uma linha tripla (horizontal, vertical ou diagonal) contínua com seus símbolos iguais (ficou bem confuso, mas acho que todo mundo aqui sabe como funciona, rs).

Você pode usar a imaginação e a criatividade com as crianças, e confeccionar cartõezinhos próprios pra brincar desse joguinho. :)

jogo da velha

O jogo de adivinhação é o nosso velho conhecido “Imagem e ação”, mas a gente está aqui pra provar que você nem precisa ter o jogo de tabuleiro oficial pra se divertir da mesma forma! Com no mínimo quatro jogadores, divida em dois grupos. Vocês podem combinar de brincar de adivinhar, por exemplo, nomes de filmes, ou de livros! Então, uma equipe pensa em um livro ou filme e pede pra uma pessoa da outra equipe desenhar, enquanto a outra pessoa dessa outra equipe tenta adivinhar dentro de um determinado tempo. E assim por diante, rodada por rodada. Muita gente gosta de dispensar o papel e a caneta e brincar com mímica mesmo! Costuma render boas risadas! ;)

imagem e acao

O jogo de adedanha (eu chamava de “adedOnha”… pra falar a verdade, não sei qual é o correto, muito menos o que significa! risos), também chamado é chamado por muita gente de “Stop”. Geralmente se brinca com duas ou mais pessoas (mas o bom mesmo é brincar em pelo menos quatro!). Consiste em traçar no papel uma lista de coisas típicas em colunas (exemplo: nome de pessoas, lugares, animais, frutas, cores, comidas). Todos sentam-se em roda e dizem “a-de-do-nha” e apresentam uma quantidade de dedos da mão que quiserem, e então conta-se todos os dedos, mas em vez de números, deve-se contar letras. Por exemplo: 7 dedos juntos = letra G. Então, todos começam a escrever palavras que comecem com a letra G, uma para cada coluna, de acordo com cada categoria, e quem terminar primeiro grita “Stop!” (daí o outro nome da brincadeira, rs). No final, Todos contam seus pontos: espaços em branco contam zero ponto, palavras iguais às do colega contam 5 pontos e palavras que ninguém escreveu contam 10 pontos. Vale brincar quantas vezes quiser e com quantas colunas (categorias) quiser!

adedanha

– Materiais: Normalmente, apenas papéis e canetas (ou lápis).

– Idade: Estes são jogos indicados para crianças já alfabetizadas (normalmente, a partir de 7 anos). Até os adolescentes costumam se divertir muito aqui!

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6) PING PONG COM BALÕES

Esse aqui é mais do que simples! Sem muita bagunça, nem sujeita, nem barulho. Mas precisa de um relativo espaço para brincar, por exemplo, numa sala.

Na verdade, se pensarmos bem, trata-se mais de um frescobol do que um ping pong, exatamente, né. :)

– Materiais: Balão, pratos descartáveis, palitos de picolé e fita adesiva para grudar. Se não tiver palitos, pode prender os pratos descartáveis direto nas mãozinhas mesmo, com elástico ou fita.

– Idade: Costuma entreter crianças de cerca de 2 a 7 anos.

ping pong de balao

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7) HORA DA PESCARIA

Os pequetitos adoram! Quem tem banheira em casa, pode até usá-la para um momento de pescaria, hein? Mas não se preocupem, não é preciso ter uma banheira pra brincar aqui! Uma vasilha com água  já serve (pode ser uma bacia!). Pra fazer a vara de pescar, basta um fio de lã amarrado a um graveto (dica: palitinho de churrasco ou mesmo um lápis podem servir perfeitamente. Só tomem cuidado com as pontas).

Os peixinhos ficam ótimos feitos de material emborrachado como E.V.A., mas calma, se você está improvisando a brincadeira agora e não tem nada disso em casa, eles também podem ser feitos de papel, pois fica levinho e bóia fácil! Porém, para não serem rapidamente deformados pela água, você pode passar uma fita adesiva transparente (tipo aqueles durex maiores, sabe? Quem tiver contact é ideal, depois é só recortar). Coloque as crianças para produzir os peixinhos junto com você, elas podem colorir e desenhar! :) Para as iscas, use clipes: abra-os e faça de uma forma que seja fácil “pescar” um clipe no outro! (cuidado com as pontas dos clipes!)

– Materiais: Bacia ou outra vasilha, alguns clipes, fita adesiva grossa transparente, palitinho comprido de churrasco (ou qualquer coisa equivalente, pode ser até um lápis sem ponta), linha mais grossa ou lã,  tesoura sem ponta, papéis coloridos (mas melhor é que as crianças pintem elas mesmas os peixinhos com lápis de cor ou giz de cera), fita adesiva transparente para envolver os peixinhos (ou papel contact).

– Idade: Costuma entreter crianças mais pequenas mesmo, de cerca de 2 a 5 anos. (lembrem-se que sempre consideramos que os adultos estão brincando junto! ;)

pescaria

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8) PISTA DE CARRINHOS

Quem não tem cão, caça com gato; e quem não tem autorama, brinca com… criatividade! :) Isso mesmo.

A ideia aqui é fazer uma pista de carrinho em casa, com o que se tem! Na primeira foto, a pista usou o próprio sofá e o chão e traçou apenas os “caminhos” com uma fita crepe simples (mais fácil de desgrudar depois). Nesse caso, a brincadeira consiste em a própria criança usar sua imaginação e participar da brincadeira ativamente, sem simplesmente “olhar os carrinhos andando via controle remoto”. ;)

Já na segunda foto, foi usado um “macarrão” de piscina (aquele tudo de espuma) cortado ao meio, e do alto da escada, ele foi posicionado. Assim, as crianças “soltam” os carrinhos lá de cima e eles descem pela pista (podem colocar uma continuação da pista ou uma caixa para aparar os carrinhos. Usem a imaginação de novo!).

– Materiais: Carrinhos simples pequenos, fita crepe, caixas para fazer os obstáculos, 1 “tubo macarrão de piscina”. O adulto pode cortar o tubo de piscina ao meio com um estilete ou tesoura.

– Idade: normalmente a partir de 3 anos e se entretém até cerca de 8 anos, mas vai depender do interesse da criança também, já que essa é a única brincadeira que propusemos que usou um brinquedo pronto (os carrinhos) para completar a brincadeira. :)

fliperama caseiro

pista de carrinho

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9) ACERTE O ALVO

Quando eu vi essa foto no pinterest, eu já comecei a rir. Um rolo de papel higiênico no meio da brincadeira! E o pior é que usar outro tipo de objeto não daria o mesmo efeito. É justamente o papel higiênico que deixa a brincadeira engraçada. Fala a verdade.

Um cabo/cano segurado por duas pessoas (aparentemente um cano de pvc, mas me deu a impressão daqueles canos de box de cortina de banheiro também, sabe?) e pendurado nele, dois rolos de papel higiênico (se você está pensando no desperdício do rolo de papel, é melhor pular para a próxima brincadeira). Desenrole um pouquinho do rolo e prenda a ponta em uma lata de refrigerante vazia; faça isso com o outro rolo também (vide foto). A brincadeira consiste em tentar “quebrar” o rolo de papel com aquelas “liguinhas” elásticas, mirando e lançando-as à distância, tipo estilingue mesmo (cuidado com a mira, hein! não vale machucar o colega! :P).

Dica: Estabeleçam uma altura menor para tentar quebrar o rolo, assim, o risco de acertar o elástico no olho de alguém é minimizado, pois todos vão mirar em uma altura mais baixa. Entenderam? Outra coisa: Peçam adultos para segurarem os canos (e não as crianças), dessa forma, se o elástico por acaso escapar em alguém, pelo menos vai ser em um marmanjo… :)

Esse é o tipo de brincadeira que também precisa de um espaço interno relativamente grande. Além disso, no mínimo quatro pessoas é o ideal.

– Materiais: um cano de pvc, dois rolos de papel higiênico, duas latinhas de refrigerante vazias e muitos elásticos.

– Idade: devido ao “perigo” de se machucarem com os elásticos (isso nem com supervisão adulta é algo “controlável”), essa aqui eu realmente não recomendo pra crianças muito pequenas, tá. De verdade. Tirando isso, a criançada maiorzinha e até os adolescentes e adultos costumam se divertir! Ainda assim, todo mundo corre o risco de levar uma borrachada ou outra. :P

brincadeira de apartamento

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10) MISSÃO IMPOSSÍVEL NO CORREDOR

Poxa, eu queria ter brincado disso. :)

Taí. Espaço pequeno, dia chuvoso, falta de energia, crianças agitadas… como lidar? rs.

Bom, imagino que um corredor em casa todo mundo tem. :) Fica a dica: Um rolo de fita adesiva. Passe de uma parede a outra, em linha reta e em X, no alto e no baixo, gerando tipo um “labirinto missão impossível”.

Na foto, a brincadeira aparentemente foi feita com papel crepom colado com fita adesiva. Também fica bacana porque ninguém vai grudar quando passar. rs. :) Mas acho que é mais fácil alguém ter uma fita adesiva em casa do  que um papel crepom, então, na hora do improviso, vale o que tem, não é? ;)

– Material: Papel crepom colorido e fita adesiva para grudar; ou simplesmente fita adesiva para passar de uma parede a outra.

– Idade: Costuma entreter crianças entre 3 e 8 anos de idade, embora às vezes os menores se beneficiem na brincadeira por conseguirem passar melhor entre as fitas devido ao seu tamanho.

brincadeira missao impossivel

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11) TORRE DE ALMOFADAS (COM DIREITO A GUERRINHA DE ALMOFADAS! ;)

Lembrei de colocar essa ideia aqui porque esses dias mesmo o nosso querido Luca <3 estava se divertindo pra valer com essa brincadeira, então tiramos fotos pra contar pra vocês! :)

Quem teve a ideia foi o titio-vô Bené, que está na foto, se divertindo com o Luca. A situação era quase a descrita aqui no post: não era um dia de chuva, mas era um espaço interno sem muitas opções pra brincar. Uma casa de adultos! rs. E ele já estava inquieto. Então… Simplesmente o titio retirou todas as almofadas do sofá. E pronto. Luca se distraiu o resto da noite. Criatividade é tudo nessa vida! :) (A mamãe aprovou, não é Lili? ;)

– Materiais: Almofadas. Almofadas. Muitas almofadas. :)

– Idade: Essa é boa para entreter os mais pequenos. O Luca, por exemplo, tem quase 1 ano e 11 meses. Mas jogue umas almofadas no chão e veja se toda criança não gosta de uma boa “bagunça”. ;) (chamem eles pra ajudarem a arrumar tudo depois, e tá tudo resolvido! ;).

A despeito de idade, acho que a brincadeira só não seria indicada caso a criança seja alérgica mesmo, ok? ;p

LUCA1 LUCA2 LUCA3

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Créditos das imagens: Todas as imagens foram retiradas do Pinterest (exceto as três últimas, que é de arquivo pessoal :).

** Observação referente ao primeiro parágrafo: Não que sejamos contra as tecnologias (depois falaremos disso por aqui)… pelo contrário! Acreditamos que cada tecnologia integra sua época, e as crianças e adolescentes têm inclusive direito a terem acesso ao conhecimento digital de forma bem orientada e esclarecida, respeitando os limites concernentes às suas idades. Ainda que muitos jogos informatizados e o acesso à tecnologia adequada possa promover desenvolvimento de muitas habilidades cognitivas, acreditamos também que as brincadeiras “tradicionais” ainda proporcionam várias habilidades que a maioria dessas tecnologias não alcançam, como sociabilidade, coordenação motora, criatividade, dentre outras.

 

O lanche escolar e a construção de um bom hábito alimentar

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escrito por Maria Beatriz Vasconcelos, pedagoga*

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“Direito a um bom início

Toda criança tem o direito de comer alimentos sãos desde o nascimento, de beber água limpa e respirar ar puro. ”
(Rubem Alves – Direitos naturais das crianças)

O contato com uma mãe muito consciente em vários aspectos da educação dos seus filhos e muito parceira com a escola onde seu menino de seis anos estuda, me provocou a escrever o tema deste mês: o lanche escolar. Este aspecto na rotina das famílias e da escola precisa ser repensado e ressignificado. Ela me relatou uma situação que deve ser refletida e problematizada quanto ao desafio de propor uma alimentação saudável para as crianças.

A situação é a seguinte: Ela procura conduzir a alimentação do filho de uma maneira mais saudável. Mesmo com a dificuldade de tempo da família ela tenta preparar um lanche selecionando alimentos mais naturais, menos industrializados e que favorecem um crescimento sadio. Entretanto, a escola que o filho estuda oferece, na lanchonete, lanches como refrigerante, salgados fritos, chips e guloseimas. Ou seja, a família convive com o desafio maior de convencer a criança diariamente a optar pelo lanche saudável. Se a escola tivesse a mesma proposta tudo seria diferente e a condução da família estaria sendo reforçada. A escola estaria cumprindo o seu papel: contribuindo para a educação da criança no seu desenvolvimento integral.

Contudo, não é isto que vem acontecendo. Muitas escolas negligenciam este aspecto da formação da criança e optam por explorar também este setor em prol de lucros. Mesmo na rede pública, com a criação das vendinhas nos horários de recreio isto é muito comum. Entretanto, já existe uma resolução da Secretaria de Educação de Minas Gerais de 2010, baseada na lei estadual 18.372/2009 que proíbe a venda e distribuição gratuita de alimentos muito calóricos, tais como frituras, doces, salgadinhos, picolés, refrigerantes e outros.

Atualmente vários estados no Brasil possuem uma legislação específica que exige das instituições de ensino a oferta de merendas saudáveis. Algumas escolas que ainda não cumprem a legislação argumentam aspectos financeiros quanto a contratos firmados com lanchonetes. Todavia, isto não pode ser uma justificativa aceitável para continuarem oferecendo lanches que “deseducam”, ou seja, não contribuem para a formação de um bom hábito alimentar.

Felizmente, já existem muitas escolas que cumprem esta legislação. Aí o desafio é outro… famílias que não conseguem ainda privilegiar uma proposta mais natural na alimentação dos filhos e optam pelo mais fácil: o produto industrializado, com excesso de sódio, açúcar, gordura saturada, conservantes e muitos outros ingredientes que não fortalecem um crescimento sadio. A dificuldade então passa a ser da escola em insistir e alertar às famílias, principalmente na Educação Infantil, de que nesta fase do desenvolvimento de uma criança a educação do paladar é super importante para a relação que ela terá com a comida para o resto da sua vida.

A maior parte destes alimentos, com alto teor de açúcar, gordura e sódio, quando apresentados em excesso durante a infância contribuem para criar o vício no paladar em produtos industrializados e a resistência em alimentos naturais que certamente o sabor não ressalta tanto açúcar e gordura. É neste tipo de consumo que observamos a resistência dos menores em experimentar e apreciar sabores de frutas, verduras e legumes. Boa parte hoje das crianças, cujo consumo é repleto de biscoito recheado, salgadinhos, refrigerante e outros, apresentam extrema resistência nas refeições adequadas. Me parece, que é no mínimo difícil, uma pessoa após seus primeiros anos de vida ter “viciado” nestes alimentos construir um hábito alimentar adequado à sua saúde.

Este contexto, “fast-food”, associado à problemática da publicidade infantil nas embalagens de lanches, é tão desafiador que muitas famílias acabam reforçando este consumo, por ser mais prático e rápido. Acabam comprando lanches industrializados, colocam na lancheira e pronto. Ou contratam a lanchonete da escola para fornecer o lanche que a criança quiser, em determinado valor, diariamente.

A situação é complicada, pois tanto as escolas quanto as famílias enfrentam este desafio em situações diferentes. No caso da mãe que citei no início do texto, a solução que talvez pensemos de imediato é da possibilidade de mudança de escola. Mas não é uma decisão simples, sempre envolve muitos outros aspectos pessoais da família que dificultam esta escolha. E, na verdade, esta seria a “solução” para esta família. E as outras que convivem naquele espaço? E a formação das outras crianças? Em muitos momentos precisamos enfrentar o problema para que a solução seja coletiva e beneficie a todos e não apenas a um. Neste caso a parceria entre a escola e família precisa caminhar na direção de algumas reflexões a cerca da alimentação em prol do crescimento dessas crianças.

A sugestão passa pela organização dos pais em apresentar a legislação para a escola, cobrar um posicionamento e apresentar o problema sempre que possível. Em momentos de reuniões de pais e outros encontros destacarem o desafio que vem enfrentando na educação da criança diante deste contexto. Por outro lado percebo que as escolas que possuem um programa de alimentação adequado já estão se mobilizando com diversas ações de sensibilização das famílias… Orientações em reuniões de pais, lanchonetes com alimentos mais saudáveis e até projetos que constroem o conhecimento da importância deste hábito de alimentação saudável.

Educar com amor é priorizar o “Direito a um bom início”, em todas as suas dimensões. Exige de nós encontrarmos formas mais plenas de garantir um desenvolvimento integral para as crianças e a alimentação é, de fato, o começo de todo o cuidado que elas necessitam e precisarão de condução ao longo de bons anos. Quer saber mais sobre o assunto? Se envolver com a discussão e propor mudanças em sua família e/ou na escola do seu filho? Acesse os sites:

– Movimento Infância livre de consumismo: http://milc.net.br/tag/alimentacao-saudavel/

– Rede Brasileira Infância e Consumo: http://rebrinc.com.br/

Maria - Foto para colunaTEXTO ESCRITO PELA COLABORADORA:

Maria Beatriz  Vasconcelos, pedagoga, especialista em Educação Infantil. Atua como Professora Alfabetizadora na rede pública e privada em Belo Horizonte. Possui experiência como consultora educacional em formações docentes no segmento da Educação Infantil e séries iniciais do Ensino Fundamental.

Contatos:  mariabeatrizrn@hotmail.com / (31) 9480-4317

Preocupação cuidadosa primária e secundária

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Texto escrito por Fábio Belo, Professor adjunto de Psicanálise, da UFMG*

 Winnicott tem um conceito bastante importante: preocupação materna primária. Através dele, o autor nos diz de um estado especial que as mães ocupam quando estão grávidas e nos primeiros meses de vida do bebê. Trata-se de uma preocupação no sentido de uma identificação com seu bebê de tal forma a estar presente de forma estável e suficientemente boa para aquilo que a criança precisa e demanda espontaneamente para continuar a ser, sem muitas interrupções e invasões.

Tenho criticado recentemente o caráter ideológico desse conceito. A meu ver, ele acaba por atrelar muito fortemente a condição física e também de gênero à noção de cuidado. Como o próprio nome do conceito indica, trata-se de algo materno. Ora, o cuidado, no entanto, é uma capacidade psíquica que devemos pressupor em todos os humanos, independente de sua condição anatômica e de gênero. Acredito ser mais winnicottiano, inclusive, acolher gestos cuidadosos como parte do que alguns de nós endereçam espontaneamente para os outros.

Por preocupação cuidadosa primária entendo o cuidado que um sujeito tem para com um bebê. Tanto faz se é homem ou mulher, pai ou mãe, biológicos ou não. Trata-se do desejo suficientemente estável de acolher o bebê também como sujeito, mesmo que seu comportamento nada diga da presença efetiva de um eu organizado. Essa pressuposição identificatória – ver alguém completo e complexo já desde os primeiros dias (e até no útero) – é a base da preocupação cuidadosa. Trata-se ainda de estar atento ao gesto espontâneo da criança no sentido de constituir uma temporalidade adequada ao cuidado. Não chegar nem muito cedo, nem muito tarde. A preocupação não é ansiosa, apenas atenta de forma quase permanente. Nesse sentido, é ato de cuidado saber esperar que a criança demande para só então agir para atender a esse chamado, de forma disponível e estável.

A partir dessa base, o adulto pode se distanciar aos poucos e também ir apresentando novos elementos à criança de tal forma a ir dando a ela condições de distinguir entre seus desejos e os limites que o adulto e o mundo impõem a eles. Aqui entra em jogo a preocupação cuidadosa secundária, presente ao longo de toda a vida. Trata-se do jogo que fazemos uns com os outros de estar disponível, momentaneamente, para escutar e fornecer espaços potenciais para que o desejo de alguém possa se apresentar e se realizar em alguma medida.

No campo da educação, a criança irá exigir bastante dessa preocupação secundária, pois ela deseja atenção e espaço para manifestar-se e ser escutada de forma singular. O sistema educacional, no entanto, como deve fazer a criança se adequar muitas vezes, será alvo de grandes ataques da criança. É preciso escutar os muitos tipos de ataque que a criança endereça aos adultos em situação pedagógica. Alguns desses ataques podem significar que o adulto perdeu algo, deixou de ver algo importante que a criança está a dizer e que ele deve voltar atrás e tentar escutar melhor.

A preocupação cuidadosa secundária cria, portanto, um espaço transicional no qual todos os envolvidos aprendem a jogar com paradoxos importantes, como aquele que diz que podemos estar juntos mesmo um tanto isolados uns dos outros. Podemos realizar muitos dos nossos desejos, mesmo que sempre abrindo mão de partes importantes deles. Podemos auxiliar o outro a enunciar melhor o que deseja, dentro da possibilidade de realização do mundo que ocupa.

A educação é a arte de operar com essa preocupação cuidadosa secundária. Saber o momento de fazer o mundo ceder mais espaços e também o momento de fazer o sujeito cooperar e encontrar uma forma mais possível de se realizar no mundo em que ele encontra. Principalmente: a educação é a fabricação permanente de um espaço potencial, um espaço que continue sempre a se engendrar, no qual tal jogo possa continuar a ocorrer sem exigir renúncia e submissão em demasia de nenhum de seus participantes.

 Belo Horizonte, 30/05/2015

fabiobeloTEXTO ESCRITO PELO COLABORADOR:

Fábio Belo, psicólogo e psicanalista, Mestre em Estudos Psicanalíticos (Fafich/UFMG), Doutor em Literatura (Fale/UFMG) e atualmente é professor adjunto de psicanálise no departamento de Psicologia/UFMG. 

Contatos: www.fabiobelo.com.br / fabiobelo76@gmail.com

Vamos brincar com nossas crianças

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Texto escrito por Rafael Carvalho, psiquiatra infantil*

Olá queridos(as) leitores(as). É com enorme prazer e satisfação que inauguro esse novo espaço no qual compartilharemos e discutiremos temas diversos sobre Psiquiatria da Infância e Adolescência,  educação e comportamento infantil. É sabido que profissionais de saúde, principalmente aqueles envolvidos na Psiquiatria/Psicologia não devem aconselhar seus pacientes e sim ajudá-los a encontrar os próprios meios de solucionar seus conflitos. Mas me julgo no direito de já começar “errado” (rsrsrs) e contrariar a regra! Aí vai um grande conselho, daquelas famosas dicas de ouro: Vamos brincar com nossas crianças!!!

Mas vocês, queridos(as) leitores, diriam: “Nossa, além de aconselhar, ele foi muito óbvio” !!?!!

Não meus caros, não fui! Como vocês perceberão, não é assim tão simples e instintivo. Muito do que discutiremos sobre educação infantil exige método, paciência, regularidade e muita, muita dedicação. Não é diferente com a atitude de brincar com as crianças. Sabe aqueles compromissos que nós temos e que não podemos deixar de cumprir nunca, nem mesmo nos dias em que não sobra tempo para nada, em que estamos cansados, tristes ou irritados ? Assim também deve ser nosso compromisso de brincar com nossos filhos.

Nesses momentos preciosos os pais intensificam os laços de intimidade e cumplicidade com suas crianças. Nesses momentos nos aproximamos de verdade dos nossos filhos, conhecemos a forma infantil de ver o mundo e descobrimos as particularidades que fazem sua criança única e especial.

Introduzo aqui um conceito sobre o qual voltaremos a conversar : O Recreio Especial.

Consiste em convidar seu filho DIARIAMENTE (TODO DIA MESMO, MESMO AQUELES MAIS DIFÍCEIS) para brincar com você durante 30 minutos. Não é tanto tempo, dá para ser feito. Ele escolhe as brincadeiras a serem realizadas, nas regras dele e você verá o quanto ele se sentirá realizado e amado. Vale ensinar algumas brincadeiras clássicas, de sua infância (depois explico o porquê das “brincadeiras clássicas”!). Não vale ver TV ou coisa semelhante; é preciso interagir diretamente no tempo em que permanecerem juntos. Dessa forma você aumenta seu vínculo e cumplicidade com seu filho e experimentará uma relação mais próxima e prazerosa. Outro beneficio imenso é que você também aumentará  a tendência de seu filho de colaborar com você e obedecer. Você e ele ganham em todos os sentidos!

Além de aproximar você de seu filho, promovendo até mesmo a obediência, o “recreio especial” preenche uma lacuna moderna da vida das crianças: A dificuldade para brincar “de verdade”. Tente se lembrar da sua infância e das brincadeiras que você brincava: Esconde-esconde, queimada, rouba-bandeira, amarelinha, colorir, desenhar, bicicleta, patins, futebol (na rua!!! Praticamente impossível hoje, infelizmente), forca, adedanha. Mas cadê o computador, o tablet, o celular, o vídeo game? Não precisávamos deles! Nossas brincadeiras eram simples, divertidas e dinâmicas. Nos exercitávamos, corríamos e além de nos divertir, evitávamos o sedentarismo! Bom demais!!! Crianças felizes e ativas. Podemos ajudar a evitar a obesidade infantil e seu filho gastará energias, irá descansar e dormir bem e sobra tempo para os pais ficarem juntos, o que passa a ser um privilegio após a paternidade/maternidade.

Sendo assim, desta vez posso aconselhar e vocês estão livres para escutar meu conselho: Vamos brincar com nossas crianças!!

(crédito da imagem deste post: Google Imagens)

RafaelTEXTO ESCRITO PELO COLABORADOR:

Rafael Almeida de Carvalho, graduado em medicina (UFMG), é médico psiquiatra infantil com formação em Psiquiatria pelo Hospital Ipsemg e em Psiquiatria da Infância e Adolescência pelo Hospital das Clínicas de Minas Gerais. 

Contato: rafaelcarvalho125@yahoo.com.br 

Na convivência não existe play, pause e off!

Front view of two boys (6-7, 8-9) playing Video Games

 escrito por Maria Beatriz Vasconcelos, pedagoga *

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“Eu descobri que as coisas boas da vida são de graça, não custam nada…”.
(Paula Santisteban e Eduardo Bologna)

Quero inaugurar a coluna trazendo algumas inquietações de uma professora preocupada com o modo de relações que são estabelecidas no convívio de nossas crianças.

A escola é o grupo social que a criança passa a participar formalmente posterior à família, que até então assumia todas as instâncias de formação e condução. Ela se torna um espaço privilegiado para o despertar do convívio social mais amplo e o desenvolvimento de muitas habilidades. Dentre todas elas destaco hoje o exercício da convivência, do aprender a ser “humano” em conjunto e assim construir várias possibilidades de crescimento em sociedade.

A partir deste momento na vida de uma criança, em que passa a freqüentar diariamente um espaço maior de convívio, muitos desafios são postos a todos os sujeitos envolvidos neste processo: famílias, professores e estudantes. Nesta prosa vou me ater ao desafio que acredito ser um dos mais importantes atualmente: o espaço tempo de construção da vida coletiva. Para a criança a escola torna-se o principal lugar da possibilidade de efetivação desta construção.

Neste sentido, muitas perguntas nos inquietam: quais as relações que nossas crianças estão estabelecendo no percurso de um crescimento saudável, pautado em uma socialização paciente e capaz de escutar, perceber o outro e aprender? Esta infância que hoje já manuseia aparelhos eletrônicos desde a mais tenra idade também está sendo estimulada e orientada para o convívio social? Será que elas percebem que o desafio da convivência não é simples como manusear um controle remoto, mouse ou manete de vídeo game?

Tem sido comum as queixas entre professores e professoras quanto às crianças chegarem à escola e ou frequentarem este espaço sem preparo para uma convivência coletiva. Meninos e meninas que fazem valer suas vontades diante de propostas para todos, ansiosos para falar, sem quietude para escutar, com dificuldade em esperar a vez e agitados durante todas as vivências na escola, até mesmo durante o momento da alimentação.

Tudo isto me faz refletir acerca do modo de vida que nossas crianças estão vivenciando e construindo em suas relações cotidianas. A cada família que converso escuto relatos de que boa parte do dia dos seus filhos tem sido ocupada com uma agenda cheia e por vários tipos de tecnologia digital, sem limite e equilíbrio no tempo de utilização. Isto me preocupa, pois sabemos o quanto as respostas dadas pelos aparelhos eletrônicos são imediatas… já na convivência coletiva isto nem sempre acontece. É preciso ser capaz de ser paciente, esperar e escutar ao convivermos em um grupo, para além do aspecto da discussão acerca da disciplina. Esta capacidade de se colocar em um grupo com tranquilidade e quietude é construída em diversas vivências que a criança participa. Aqui estou tratando da formação de um sujeito capaz de conviver socialmente e aprender diante do desafio que é perceber que assim como ele os outros também merecem atenção, escuta e participação.

Observo que muitos estudantes que apresentam dificuldades nas relações com os demais (paciência, escuta, etc), convivem diariamente com o uso excessivo dos aparelhos eletrônicos, comem ao mesmo tempo em que assistem TV e se distraem com outros objetos, sem dar um “pause”. Ao apreciarem uma leitura demonstram ansiedade pelo término e, se pudessem, usariam um controle remoto para controlar várias ações do dia – adiantar, voltar, pausar, pular.

Imagino que ao ler tudo isto a pergunta que fica é: Meu filho tem agido assim? E ai, o que fazer?

A opção que hoje me parece ser mais coerente com o aprendizado da convivência envolve uma escolha crucial: a urgência em priorizarmos a construção de outro ritmo nas relações em todas as dimensões. Vivemos o tempo do instantâneo, do imediato e isto reflete diretamente no desenvolvimento das crianças. A rotina de compromissos e o uso excessivo de tecnologias digitais parece estar substituindo vivências importantes nesta etapa de crescimento.

Cabe-nos investigar como está o tempo do ócio, da brincadeira, dos jogos na vida das nossas crianças. Estas práticas que deveriam ser privilegiadas estão sendo deixadas de lado. Através destas, poderíamos possibilitar estímulos e incentivos à percepção de que tudo envolve processo, principalmente a convivência no coletivo.

Precisamos redirecionar o nosso olhar e nossas ações em busca de um novo ritmo de organização e interação social. A escola reflete o que a sociedade e a época apresentam. E já sabemos que o momento é desafiador. Devemos então começar uma forte parceria para incluirmos práticas simples, mas grandes em significados no dia-a-dia das crianças. Experimentar atividades que oferecem a percepção do processo e a construção da paciência pode ser “… de graça, não custam nada” como nos diz esta linda canção.

Plantar, cozinhar, apreciar a arte em suas diversas linguagens, caminhar, criar algo novo… BRINCAR!!!! Tudo isto certamente envolve outra temporalidade e nossas crianças poderão crescer se relacionando melhor coletivamente, sabendo esperar e percebendo que tudo tem um tempo próprio e que a convivência no coletivo não se dá com auxílio de play, pause e off!

(Créditos da ilustração: retirada do Google imagens / Image by Mike Kemp/Tetra Images/Corbis)

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TEXTO ESCRITO PELA COLABORADORA:

Maria Beatriz  Vasconcelos, pedagoga, especialista em Educação Infantil. Atua como Professora Alfabetizadora na rede pública e privada em Belo Horizonte. Possui experiência como consultora educacional em formações docentes no segmento da Educação Infantil e séries iniciais do Ensino Fundamental.

Contatos:  mariabeatrizrn@hotmail.com / (31) 9480-4317

Comunicação e motivação – Post 2: como motivar a criança

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“Somos todos geniais. Mas se você julgar um peixe pela sua capacidade de subir em árvores, ele passará sua vida inteira acreditando ser estúpido”. (Albert Einstein)

“Como fica forte uma pessoa quando está segura de ser amada”.  (Freud)

No post anterior, comentei com vocês como às vezes nós esperamos que a situação mude, mas não mudamos nossas atitudes perante a situação. Assim, insistimos em agir de uma determinada forma que achamos que vai dar resultado, mesmo que a realidade esteja nos mostrando que nada está mudando.

Percebi isso em muitos atendimentos nos quais observava algumas atitudes adultas que não promoviam nenhuma motivação para a criança mudar seu comportamento. Taí a nossa palavra-chave.

Alguns pais relatam um determinado comportamento inadequado e repetitivo da criança – birras, desobediência, agressividade – e tentam corrigi-los com uma constante repreensão, críticas e punição. Não foram poucas as vezes em que me deparei com adultos que já não elogiavam os filhos e nem mesmo descrevia nenhum de seus aspectos positivos. Tudo que eu ouvia eram palavras negativas, às vezes com raiva, cansaço, irritação – o que é totalmente compreensível, porque, como eu disse no post anterior, a gente sabe que se trata de um erro tentando acertar. Isso acontece com todos nós.

Mas para compreendermos como as palavras negativas influenciam na atitude da criança, tornando-a desmotivada a agir da forma adequada, e como uma comunicação positiva serve de estímulo aos comportamentos desejados, costumo fazer uma analogia com um ambiente de trabalho adulto.

Suponha que seu patrão pediu-lhe para realizar uma nova tarefa, e ensinou-lhe como fazer, passo a passo. Na primeira vez você fez rápido, de forma desleixada e equivocada, e apresentou a tarefa realizada a ele. Ele criticou o seu comportamento e o trabalho feito, apontando todos os defeitos que carregava e afirmando que você era incapaz. Então pediu, de forma ríspida, que fizesse novamente e corretamente, ou receberia uma punição. Você, desta vez, com medo de ser criticado e punido, fez o trabalho com mais cuidado e tentando prestar atenção aos pontos importantes. Apresentou a tarefa ao seu patrão, que criticou os erros que ainda haviam sido cometidos e, sem observar o esforço que você dedicou, aplicou-lhe a punição e ainda lhe deu mais trabalhos, completando que duvidava que você desse conta. Você agora se esforça e tenta fazer da melhor forma possível, mas o patrão já espera que você vá apresentar errado, e a todo momento critica-o e  duvida da sua capacidade, dizendo que você nunca faz nada corretamente e não consegue cumprir ordens. Novamente, ao entregar a tarefa ao patrão, ele só enxerga os defeitos, criticando-os e punindo-o, e nem percebe a sua dedicação e os acertos que você conseguiu obter naquela tarefa. Em determinado momento, aquele ciclo te deixa cansado, e você, sabendo que o patrão só vai criticá-lo e nunca vai enxergar seus pontos positivos, desiste de fazer a tarefa bem-feita e volta a fazer de forma desleixada – afinal, é isso que ele espera mesmo de você (e também porque você já está tão irritado que passou a “pirraçar” o seu patrão).

Suponhamos agora essa mesma situação, diante de um patrão com outra atitude. Ao receber o seu primeiro trabalho realizado de forma desleixada, ele chama a sua atenção para os pontos negativos mas ressalta os positivos, dizendo que sabe que você é capaz de muito mais do que aquilo. Assim, pede-lhe para fazer novamente o trabalho, se oferecendo para sanar qualquer dúvida. Você realiza novamente, um pouco contrariado, mas tentando não cometer os mesmos erros para não desapontar o patrão. Ao apresentar novamente a tarefa, seu patrão elogia-o, dizendo como você melhorou da última vez para agora, e que, apesar de ainda ter alguns erros no trabalho, gostou de saber que você se esforçou e que mostrou que pode ser capaz. Ele, depois de ressaltar seus aspectos positivos, lhe aponta onde ainda existem erros e como você pode corrigi-los, usando suas habilidades. Você gostou de receber aqueles elogios e conquistar a confiança do patrão, então agora procura seguir suas coordenadas e realizar a tarefa conforme foi pedido. Ao apresentar novamente, o patrão elogia-o pelo cumprimento e pela constante evolução, parabeniza-o pelo esforço e pela tarefa bem cumprida, e ao enxergar um pequeno engano irrelevante cometido, ignora-o para não desmotivá-lo. Porém, ao pedir-lhe a próxima tarefa, o patrão fica atento se esse engano está sendo cometido novamente, enquanto você está desenvolvendo o trabalho; e ao perceber que você vai se equivocar desta vez, orienta-o sobre qual o caminho melhor a seguir naquele momento. Você sente que está agradando ao patrão, que ele está prestando atenção em você e te dá valor; dessa vez, faz seu trabalho com bastante atenção e cuidado, da forma que ele lhe orientou. Ao apresentar ao patrão, este novamente o elogia e ainda lhe dá aquele dia de folga que você estava querendo, pois você conseguiu adiantar seus trabalhos e se superou. A partir desse dia, você ficou muito mais motivado a trabalhar e cumprir as tarefas, mostrando todas as suas habilidades.

Claro que não estou “comparando” uma relação de trabalho a uma relação parental; foi apenas uma analogia grosseira para percebermos que certos comportamentos são próprios do ser humano, adulto ou criança, e não exclusivamente do universo infantil. Assim, por exemplo, um elogio (SINCERO, ESPONTÂNEO E VERDADEIRO!) pode ser força motivadora de qualquer pessoa. E às vezes, se pararmos pra refletir que aquilo poderia ser a minha realidade, talvez possamos compreender melhor como a criança se sente em uma situação semelhante.

Invistamos, pois, em observar mais os aspectos positivos de um comportamento e ressaltá-los. E, mesmo que os aspectos negativos ou inadequados estejam muitos fortes e resistentes, tomemos o cuidado de não deixarmos que isso impeça-nos de enxergar a totalidade da realidade daquela criança. (Que fique bem claro: isso não é viver como “Poliana” nem “ver o mundo cor-de-rosa”, não. Simplesmente é importante que a correção venha acompanhada de reflexão e de motivação).

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(Créditos das fotos: retirada do Google Imagens)

 

Comunicação e motivação – Post 1: Sobre errar, aprender e mudar

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“É insanidade fazer a mesma coisa dia após dia e esperar resultados diferentes”. (Albert Einstein)

“Alguém que nunca cometeu erros, nunca tratou de fazer algo novo”. (Albert Einstein)

Imaginem vocês que eu tenho em mãos uma garrafa de água, fechada com uma tampa. Eu quero abrir essa garrafa, mas não sei como funciona seu mecanismo de abertura. Então eu tento girar a tampa no sentido contrário à sua abertura, fechando-a ainda mais. Estou vendo que ela não está abrindo, mas eu continuo acreditando que é desse jeito que eu vou abrir a garrafa. Assim, junto todo meu esforço e continuo girando a tampa nesse sentido. E passam-se horas nessa tentativa, mas a garrafa não abre.

Qual seria a atitude mais razoável que eu teria de tomar, diante dessa evidência que se me mostra?

Bom, imagino que vocês tenham respondido “tentar outra forma de abrir a garrafa, já que você percebeu que assim você não conseguirá”.

Pois é. Às vezes passamos muito tempo insistindo numa tentativa de fazer as coisas mudarem, mas agindo sempre da mesma forma.

Vejam bem: reconhecer que era preciso mudar de atitude não significa que eu não estivesse tentando abrir a garrafa na melhor das intenções, com esforço e dedicação. Eu estava colocando toda a minha energia e estava fazendo o melhor que eu podia, naquilo que eu achava que era correto. Assim como tantos pais ou educadores fazem com suas crianças.

Mas em determinado momento, preciso humildemente perceber que, se não está funcionando daquele jeito, é porque o jeito que estou tentando pode estar equivocado.

Falamos muito sobre como as crianças aprendem com os erros, mas é bom lembrar que os erros são e serão cometidos por todos nós também, adultos. Inevitavelmente. E é através dos erros que vamos tentando abrir novos caminhos na educação.

Quantas vezes não ouvi pais lamentando que “sempre coloca a criança de castigo, mas ela não melhora”, “sempre faz tudo o que ela quer, mas ela não lhe obedece”, “sempre fala pra ela que é uma malcriada, mas ela não ouve”. Vamos refletir: se depois de um longo tempo de tentativa de mudança do comportamento da criança através de determinadas atitudes, percebemos que a criança não muda, ou até piora, é preciso parar e verificar se não estamos tentando abrir a garrafa no sentido contrário. E aí, tentar uma nova forma de abri-la.

Nem sempre a garrafa pode abrir apenas girando a tampa para o outro lado – isso também pode não dar certo. É preciso entender que, às vezes, tentarei várias formas de abrir aquele recipiente, mas no final descobrirei que aquela tampa nem abre girando, ou que a tampa está do outro lado, ou que a garrafa possui abertura vertical. Algumas, só com abridor; outras, só saca-rolhas. Para isso, é preciso estarmos bem atentos, observar bastante “nossa garrafa” e prestar bastante atenção no que é que a situação está me solicitando.

Reconhecer que a realidade está nos pedindo outra coisa é um primeiro passo para a mudança (da nossa atitude e da realidade que eu quero mudar). A partir do momento em que percebemos que nossa ação está caminhando num sentido em que nada muda, é hora de refletirmos, observarmos e tentar girar a tampa da garrafa em outras direções.

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No próximo post, dando continuidade a este assunto, vou comentar situações difíceis em que às vezes, insistimos em agir da mesma maneira, e quais resultados podem decorrer disto.

(Créditos das imagens: Banco de imagens do Google, e https://365nuncas.wordpress.com)

Respeite minha dor! Falando de morte com a criança

“Salgueiro chorão com lágrimas escorrendo,
Por que você chora e fica gemendo?
Será porque ele lhe deixou um dia?
Será porque ficar aqui não mais podia?
Em seus galhos ele se balançava,
E ainda espera a alegria que aquele balançar lhe dava,
Em sua sombra abrigo ele encontrou,
Imagina que seu sorriso jamais se acabou.
Salgueiro chorão, pare de chorar,
Há algo que poderá lhe consolar, 
Acha que a morte para sempre os separou?
Mas em seu coração pra sempre ficou….”

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No filme “Meu primeiro amor”, a personagem mirim Vada recita na sua aula de literatura o poema “Salgueiro Chorão” após ter de enfrentar a morte do seu melhor amigo, Thomas.

Parece clichê repetir que a morte é parte da vida, mas uma notícia de morte inevitavelmente nos toca, porque “somos parte integrante da humanidade”, como escreveu o poeta inglês John Donne. Portanto, quando se trata de uma pessoa querida, amada, não é mesmo fácil para nenhum de nós. Enfrentar o luto é um processo difícil em todas as idades de um ser humano, mas pode ser ainda mais difícil para uma criança, que sente e compreende subjetivamente a duração do tempo de uma forma diferente da do adulto.

Abordar a morte com a criança ainda deixa muita gente desconcertada, sem saber como fazê-lo. Muitos recorrem a eufemismos como “dormiu para sempre”, “virou estrelinha”, “viajou pra sempre”, não explicando na realidade o que aconteceu. Isso às vezes mais confunde do que ajuda – principalmente para as crianças mais novas, antes dos 6 anos, por já possuírem uma dificuldade em compreender a questão da irreversibilidade da morte. Desta forma, essas abordagens podem dar a algumas crianças a impressão de que o ente querido “desapareceu”, “evaporou”, “foi embora e não voltou”, gerando fantasias em sua mente, como de resgatá-lo ou ir ao seu encontro. No futuro, pode até dificultá-las a lidar com o luto de uma maneira equilibrada, pois em momentos oportunos não lhe foi apresentada a morte de uma forma esclarecedora.

Ao enfrentar o luto, uma criança pequena, que decerto ainda não sabe direito nomear seus sentimentos, pode reprimir suas emoções ou até mesmo expressá-las através de outros comportamentos ou sintomas (mecanismos de defesa), como a agressividade, a hostilidade, a negação, o isolamento social e às vezes até o sentimento de culpa. A fim de que essa perda vá sendo bem elaborada na estrutura psíquica das crianças é que se torna importante falar e ouvir falar da morte abertamente com elas, assim como mostrar que seu sofrimento é digno de respeito.

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O leãozinho Simba se viu desamparado e culpado após a morte do seu pai, Mustafa, no filme infantil “O Rei Leão”.

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A personagem Vada primeiramente teve uma reação de negação ao saber da morte do seu amigo Thomas, no filme “Meu Primeiro Amor”.

No meu último trabalho com atendimento em saúde mental infantil, num serviço público, eu cheguei em um momento bastante difícil. O psicólogo infantil que trabalhava lá anteriormente havia acabado de falecer em um acidente. Havíamos mais de cem pacientes, crianças e adolescentes, e claro que foi um triste momento de luto a ser vivido, já que a grande maioria possuía um vínculo longo e forte com o profissional. Após darmos a notícia aos pais (que também receberam com muito pesar e tristeza), recomendamos a todos eles que já preparassem e falassem a verdade com as crianças em casa, sem mentiras nem omissões, sobre a morte do então psicólogo delas. E foi preciso realmente muito cuidado e respeito para abordá-los sobre isso, principalmente por se tratar de crianças e jovens que já estavam no curso de um tratamento de um sofrimento psíquico – muitas inclusive que já vinham enfrentando outros processos de luto. 

É importante acolher todas as emoções e sentimentos da criança, e fazê-la perceber que é natural que sinta dor, tristeza, saudade, às vezes até mesmo raiva, naquele momento. Muitas crianças não conseguem falar sobre o que se passa com elas – mas não falar não significa que não estão sentindo. Muitas delas não conseguem nem mesmo chorar por um tempo. Fundamental ouvir o que as crianças têm a dizer, até mesmo encorajá-las a fazerem-no – ou dizer a elas que podem tentar se expressar através de desenhos. Deixem-nas brincar também, pois através da simbolização alçada na fantasia, algumas ansiedades podem ser aliviadas. Também não esconda da criança os seus próprios sentimentos e a sua própria dor. Isso tudo pode ir ajudando na elaboração do luto infantil.

A criança, como qualquer um de nós, pode enfrentar no curso de sua infância mortes trágicas ou mortes “esperadas”, como de uma pessoa em doença terminal; pode ser a morte de um bichinho de estimação, de um parente ou familiar, de um amigo ou amiga, do vovô ou da vovó, de um professor ou professora, e na pior das hipóteses, de um dos seus genitores ou principal cuidador/tutor – a figura em quem, geralmente, naquele momento, está se baseando como modelo para construir sua identidade e constituir sua personalidade. Em todos os casos, a criança precisa sentir que não ficou sozinha nesse momento de perda e ser apoiada desde o início, de preferência por alguém de confiança e de seu vínculo, e que possa lhe devotar afeto, carinho e cuidado durante o tempo necessário. É bom também que a pessoa que lhe dará a difícil notícia da morte seja essa mesma pessoa que estará a lhe acompanhar no processo do luto.

Muitos especialistas defendem a ideia de que seja facultado à criança (principalmente acima dos três anos) a escolha de participar dos ritos culturais de despedida (como funerais e enterros). Para eles, é bom explicar à criança do que se trata aquele momento e perguntar se ela deseja participar, mas nunca impor-lhe a vontade (nem de ir ou de não ir). Assim como elas participariam de outros ritos marcadores do tempo na cultura, como casamentos e aniversários, a participação nos rituais fúnebres seria também uma forma de ter-lhes preservado e respeitado o seu direito de se “despedir” simbolicamente da pessoa que amam, e assim fazendo da morte um evento menos traumático. Obviamente que, como tudo tem sua exceção, funerais derivados de grandes tragédias talvez não sejam realmente adequados para que crianças muito pequenas presenciem, dado que, em muitas vezes, muitos dos próprios adultos em luto costumam mostrar grande desespero e revolta nessas situações. Desta forma, no final o que conta é que o responsável pela criança esteja sensível a perceber a nuance da situação.

Para irem aprendendo a lidar com o tema do ciclo da vida, as crianças já podem ir sendo educadas através de atividades lúdicas – como explicar a elas sobre a vida das plantinhas e dos animais, fazendo com que elas se envolvam através de um momento de acompanhamento e convivência (a ideia de plantar e cuidar do feijãozinho no algodão, por exemplo). A arte também é sempre uma bela maneira de se tratar temas existenciais como a morte com as crianças, pois a arte ativa a sensibilidade, desperta para os sentidos e transcende o real. Livros, obras, filmes, músicas, teatros, contação de histórias: todos são interlocutores que podem ajudar a abordar o tema de morte até mesmo com bom humor. 

Dicas de alguns livros infantis sobre o tema:

“Começo, meio e fim” (Frei Betto)

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“Menina Nina” (Ziraldo)

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“A montanha encantada dos Gansos Selvagens” (Rubem Alves)

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“Quando os dinossauros morrem” (M. Brown)

dinossauros morrem

“O círculo do destino” (Raja Mohanty e Sirish Rao)

circulo do destino

“A história de uma folha” (Léo Buscaglia)

historia de uma folha

“O pato, a morte e a tulipa” (Wolf Elrbruch)

pato morte tulipa

 

Vó Nana (Margaret Wild)

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A Poltrona Vazia (Sandra Saruê e Marcelo Boffa)

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Tempos de Vida (Bryan Mellonie e Robert Ingpen)

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A Velhinha Que Dava Nome às Coisas (Cynthia Rylant)

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A mulher que matou os peixes (Clarice Lispector)

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O guarda-chuva do vovô (Carolina Moreyra)

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Referência de leitura extra pra vocês: Luto na infância e as suas conseqüências no desenvolvimento psicológico. Louzette, F.L. e Gatti, A. L.  2007. 

Momento desabafo: Enquanto eu procurava as imagens pra ilustrar o post, acabei assistindo novamente um pedacinho do filme “Meu Primeiro Amor” (o momento do funeral). Pensem se não morri de chorar aqui novamente, pela enésima vez? rs

Não podemos fugir das frustrações

Ninguém disse que crescer seria fácil. Existir traz muitos conflitos e, queiramos ou não, virão erros e acertos, sucessos e fracassos durante toda a vida. Mas, e na educação? As crianças estão sendo preparadas para “falhar”? De quantas frustrações elas estão sendo privadas para que se garanta a sua plena satisfação?

Alguns papais e mamães relatam muita dúvida de quando devem começar a estabelecer limites à criança, e com que idade devem começar a dizer “não”. Muita confusão é formada a respeito do que se fala sobre a importância da “frustração” para o desenvolvimento psíquico infantil.

lindando com a birra

Ao contrário do que parece, obviamente não estamos falando aqui de deixar um bebê de colo chorar por horas no berço, como apregoam algumas linhas (na minha opinião, questionáveis) por aí. Mas podemos sim, falar de “aprender a lidar com a frustração” desde a fase de bebê e a primeira infância. E não se trata de “impor” frustrações para que eles lidem com elas (seria crueldade, hein?), mas de aprender a lidar com aquelas que muitas vezes a própria natureza impõe ou que aparecem em situações da própria vida – inevitável e invariavelmente -, sem tentar privá-las dos desprazeres o tempo inteiro.

Para entender melhor, voltemos ao recém-nascido, primeiramente. Ao nascer, o bebê vivencia a sua primeira “frustração”, ao sair do conforto do útero materno. É a partir dessa frustração que o bebê aprende a se esforçar para respirar através dos seus pulmões (já que antes não havia esforço, devido à utilização da circulação fetal). As frustrações de fome, de sede, novamente forçam o bebê a tornar-se ativo, a chorar e a “procurar” por alimento. Percebem a importância da “frustração” de cada momento?

Recorrendo agora aqui a uma leitura psicanalítica do desenvolvimento infantil, o recém-nascido ainda não possui a sua estrutura psíquica totalmente formada (pois o que se costuma chamar de “ego”, ou “consciência do eu”, é formado na relação com um “outro”), e a visão de mundo de um bebê ainda é extremamente egocêntrica, então, na visão do bebê, ele e mamãe são “um só”, e a mamãe estará ali para atendê-lo de forma imediata a todo momento que ele requerê-la. E claro que, geralmente, o esforço ideal de toda mãe é para isso mesmo: para que seu bebê não passe fome, frio, sede, sono, não fique doente. Assim, as mães se doam completamente, perdem sono, “padecem no paraíso”, como costumeiramente dizemos. É natural que a mãe queira estar em momento integral disponível para o seu bebê (e, na verdade, é até mesmo ideal que seja assim, principalmente no que diz respeito ao total envolvimento afetivo-emocional com o bebê, ou seja, à completa entrega do amor!). Mas no plano real, sabemos que muitas vezes a satisfação imediata das necessidades do bebê não é exatamente possível em todos os segundos do dia, certo? Afinal de contas, teve uma horinha ali em que o bebê chorou cerca de meio minuto a mais e ficou esperando o seio para mamar, que foi só aquele tempinho que demorou pra que você apenas terminasse de engolir o seu único lanche do dia, aquele que você tinha acabado de começar quando ouviu ele chorar… ;-)

Então, são momentos como esse, nos quais o bebê vai vendo que a mãe não está respondendo de forma imediata (literalmente) às suas frustrações naturais, é que ele vai percebendo também que a mãe não só é um “outro” diferente dele, como também “existe para outros“, para outras coisas do mundo; assim como existem outras coisas externas a ele que também carregam a atenção da mãe (como, num exemplo típico: o trabalho, o cônjuge, outros filhos, outros afazeres). E é preciso que ele vá percebendo isso mesmo, de forma que a percepção de alteridade vai se formando em seu psiquismo.

– Então isso quer dizer que eu posso deixar meu neném chorando, esperando um pouco, que é bom pra ele?

NÃO, genteabsolutamente, eu NÃO disse isso em momento algum. O que quis explicar é que as frustrações impostas naturalmente e inevitavelmente ajudam o pequeno bebê a ir compreendendo a diferenciação de si e do outro, e também a ir lidando com a realidade aos poucos.

Com isso, também, quero mostrar que o “afeto do desprazer” (a frustração) é importante sim ao desenvolvimento do ser humano, tão importante como o “afeto de prazer” (a satisfação)!  Se frustrar faz parte! Faz parte e é necessário! E isso é para o resto do nosso ciclo vital.

Assim, à medida que vai crescendo, durante toda a infância, muitas frustrações “inevitáveis” também vão ocorrer na vida da criança de outras formas, ou seja, situações em que dizer ou sustentar um “não”, em que “impor um limite”, é o mais adequado para seu desenvolvimento. Por exemplo (já não falando mais dos bebês): quando a criança  quis levar o brinquedo que não era dela pra casa, mas não podia; quando quis o chocolate de todo jeito fora do horário, mas não seria bom para sua saúde; quando perdeu no jogo com o coleguinha, e precisou aceitar; quando a professora lhe chamou a atenção por estar conversando na classe, e ela se chateou porque esperava contar com o apoio da mãe para revidar a professora; dentre várias outros momentos. Vocês cederiam a todas essas situações, revertendo-as para que as crianças ficassem satisfeitas? E se elas iniciassem uma birra a cada uma dessas frustrações citadas acima?

Às vezes pode ser muito difícil para alguns pais conseguir sustentar esse “sinto muito, mas temos que aprender a lidar com isso” que a frustrará, mas nessas horas é que entra uma explicação terna (geralmente as crianças a partir dos 2 anos compreendem mais, devido à aquisição da linguagem). Eu costumava dizer na orientação aos pais: Você pode dizer “não” de forma firme e carinhosa ao mesmo tempo, explicando-lhe sempre o motivo do seu limite e, com isso, tentando levá-la a entender que você está dizendo “não” porque a ama e porque é para o bem dela. É importante que esteja claro o motivo e a razão de você estar fazendo aquilo – mas sem ceder. Isso vai ensinando a criança a aceitar melhor as situações frustrantes, e desta forma ela vai gradualmente amadurecendo, pois através de conversa, diálogo, explicações e conversas assertivas com amor, ela pode compreender, ao longo de seu crescimento, que o mundo não funciona para atender às suas vontades o tempo inteiro, e que nem tudo pode ser do jeito que ela quer. Ela não vai deixar de se frustrar, mas vai aprendendo a lidar melhor com isso.

Muitos pais que atendi esperavam que simplesmente a criança “aceitasse calmamente e passivamente” as situações frustrantes (seria um sonho, né) – ficando eles mesmos (pasme!) frustrados diante de uma situação que não lhes saiu conforme esperado. Eu costumava dizer a eles, “Olhem para vocês. Se até nós, adultos, ficamos chateados quando algo não sai como esperávamos, nos frustramos perante um fracasso, um erro, uma falha (e isso é absolutamente normal enquanto não nos destruir), como vamos exigir de uma criança – que teoricamente é mais imatura em termos de desenvolvimento psíquico – que ela não fique chateada em um momento desse? No início da aprendizagem, é claro que elas vão reagir, elas vão rebater, algumas podem fazer ‘birra’, outras podem querer impor sua vontade de qualquer maneira. A única coisa que podemos fazer é ir ensinando-as a lidar com essas situações – por isso é importante não ceder. Pois frustrações acontecerão a vida inteira, e nos chatearão a vida inteira. Se lhe forem sempre satisfeitas, quando forem adultos, como lidarão com as frustrações? Poderão fazer ‘birra’ com a vida?”

Diriam alguns ainda que, se podiam evitar uma situação frustrante, “revertendo-a”, então ela não seria uma “frustração inevitável”. Calma lá. É claro que se pode tentar evitar algumas situações frustrantes, por exemplo, como podemos evitar tirar uma nota ruim numa prova, estudando melhor; mas em determinado momento uma situação de frustração será, sim, inevitável ou até mesmo necessária, e quando ela já aconteceu ou está na hora de acontecer (por necessidade de imposição de limites a um comportamento inadequado, por exemplo), você não está mais evitando-a, você já está privando a criança dessa frustração, cedendo invariavelmente às suas vontades quando não é adequado ou possível. Isso pode ser prejudicial, sim, à criança durante o curso do seu desenvolvimento, pois poderia vir a formar meninos e meninas constantemente insatisfeitos e “birrentos”, muitas vezes incapazes de ver sob o olhar do “outro”, pois não estão deixando que se construa em seu psiquismo a noção de que existem “outro/as” além da sua própria vontade; assim como futuros homens e mulheres em muitos casos egoístas e com dificuldades em compreender e aceitar as realidades e dificuldades da vida adulta, o que poderia vir também a causar um grande sofrimento psíquico neles mesmos.

Não se poder fugir das frustrações, e as crianças precisam ser ensinadas sobre isso. Bebês se frustram, crianças se frustram, jovens se frustram, adultos se frustram. Conseguiremos, conquistaremos, sim; e precisamos estar motivados para vencer. Mas também falharemos, fracassaremos; e precisamos estar preparados para perder. Aquele que está acostumado a ser privado de frustrações e ter seus desejos sempre satisfeitos, ao ter-lhe a primeira dificuldade imposta pela vida – através do fracasso, da falha, do erro, da perda, da decepção -, poderá não enfrentar esse momento com o devido equilíbrio (como poderia o fazer uma outra pessoa que lidou com as frustrações durante seu curso de desenvolvimento), podendo inclusive recorrer a tentativas paliativas de se “privar” de “sentir” a frustração. É preciso entender que viver sem desprazeres é impossível. Em uma sociedade já tão individualista, que cultiva constantemente a busca plena do prazer, e que já tenta evitar as frustrações de todas as formas, proporcionando tantas vezes um “conforto artificial” – através de instituições, políticas, ‘sedativos’, entretenimentos, alienações – ao menos o processo educativo familiar pode tentar contribuir com a formação de cidadãos menos intolerantes às frustrações que a própria existência lhe imporá.

OBS: Sugestão complementar de leitura: Divulgamos ontem na nossa fanpage essa entrevista com o psicanalista belga Jean-Pierre Lebrun, que fala justamente de uma dificuldade contemporânea em educar para a frustração e o erro, já que é preciso compreender que a “satisfação plena” nunca será alcançada e que falhar será inevitável durante o curso da existência. Recomendo. http://www.contioutra.com/ensinem-os-filhos-a-falhar/